Em Luta por uma nova revolução

Há 100 anos, a Revolução na Rússia arrancou o país da guerra, da miséria, do analfabetismo e da fome. Os trabalhadores governaram, apoiados nos seus organismos democráticos – os sovietes. Os operários, camponeses, mulheres e nacionalidades oprimidas conseguiram conquistas até aí impensáveis. 100 anos depois, os avanços tecnológicos permitiriam uma vida digna a todos, mas o capitalismo só nos dá desigualdade, miséria, exploração, crise: a destruição humana e ecológica.

Os incêndios são expressão disso: morreu mais de uma centena de pessoas, pois PSD/CDS e PS destruíram os serviços públicos de prevenção e combate aos incêndios e entregaram a floresta à indústria da celulose. Hoje 2,6 milhões em Portugal são pobres e 23% ganham o salário mínimo.  Cada vez mais trabalhamos 7 dias por semana/24h por dia (veja-se a recente greve na Autoeuropa) para ganhar uma ninharia e trabalhar até morrer. A miragem da nacionalidade para todos os nascidos em Portugal e o caso do juiz a defender a violência doméstica em nome da Bíblia são exemplificativos do racismo e machismo institucionais. O caso da Catalunha – e a recusa de Costa em reconhê-la contra a Constituição Portuguesa, que prevê o direito à autodeterminação dos povos – mostra que esta sociedade não é sequer capaz de garantir os direitos democráticos mais básicos. No capitalismo, não há futuro para quem vive do trabalho.

Hoje, a maior parte da esquerda acha que é preciso reformar o capitalismo e apoia os setores ditos “progressivos” da burguesia. O resultado  dessa política em Portugal é que, em dois anos de Geringonça, o que foi roubado pelo Governo Passos/Portas/Troika está longe de ser devolvido. O Orçamento de Estado não traz mudanças: cumpre o défice e o pagamento da dívida, mantém austeridade e exploração para os trabalhadores. A direita cavalga hipocritamente o descontentamento com os incêndios, mas afundou o país. PCP e BE são incapazes de ser alternativa porque sustentam o Governo.

A Revolução Russa mostrou que as conquistas dos trabalhadores serão obra das suas lutas e que para conseguir o mínimo é preciso lutar até ao fim contra o capitalismo. Hoje, homenagear esta revolução – e aqueles que deram a vida para manter vivo o seu legado contra a deriva autoritária do estalinismo e da contra-revolução burguesa – é trilhar o caminho da organização dos trabalhadores de forma independente dos patrões, dos banqueiros, dos governos e da UE. A única via para a libertação dos trabalhadores e de toda a Humanidade da miséria, exploração e crise não são os pactos com a burguesia, mas a revolução socialista. Esse caminho faz-se construindo hoje uma alternativa de luta, independente e dos trabalhadores, contra a exploração e a opressão, nos locais de trabalho e nos bairros. É ao serviço desse projeto que o Em Luta está.