42 anos da independência de Angola​

No próximo 11 de novembro, assinalam-se 42 anos da independência de Angola, uma data emancipatória para milhões de angolanos e angolanas que lutaram pela autodeterminação contra o domínio colonial e racista do Fascismo português. É o primeiro aniversário com João Lourenço como chefe de Estado. Que balanço e que futuro para Angola?

A permanência de José Eduardo dos Santos nas esferas diretas do poder através da função de Presidente Emérito mostra que o MPLA não pode nem consegue sequer fingir uma transição democrática e mantém o monopólio da entrega de recursos naturais aos grupos capitalistas estrangeiros.

João Lourenço surge na tentativa de destensionar a relação da classe trabalhadora com o Regime, mas em vão. JL não muda absolutamente nada; sequer coloca em causa a atribuição da Presidência da Sonangol a Isabel dos Santos ou do Fundo Soberano a José Filomeno dos Santos. Angola continua a ser o país onde os Generais detêm largos hectares de propriedade e exportam para países vizinhos bens de primeira necessidade a que a maioria dos angolanos não tem acesso.

O medo de derrames de sangue colossais, como os que se seguiram ao processo de 27 de maio de 1977, dificulta as massas de prosseguirem a sua conscencialização total contra o atual regime. A rutura com a cultura do medo deve ser a tarefa primordial para quem luta contra a ditadura em Angola, como o caso dos 15+2 que deixou claro o repúdio da juventude angolana ao regime e o seu anseio por alternativas reais; Luaty Beirão, por exemplo, uma figura de proa da luta de resistência em Angola, apelou ao voto nulo nas eleições do passado dia 23 de agosto. Enquanto isso não param de surgir fissuras e lutas contra o atual estado de Angola, quer sejam lutas contra o garimpo nas Lundas, contra os governos provinciais e a crise humanitária a Norte, mas também greves de setores importantes do funcionalismo, como os enfermeiros e os professores.

A disposição para lutar é também partilhada por amplos setores da diáspora angolana, com os estudantes angolanos a reivindicarem bandeiras democráticas como a alternância democrática ou o voto da comunidade na diáspora. A música, em particular o RAP, tem tido um papel de vanguarda nestas lutas, nomeamente através de MCK e Luaty Beirão, que têm, com o seu ativismo militante, despertado a consciência de uma juventude que levanta questões incómodas e objetivas. Resgatam a tradição da oralidade e dos exemplos dos músicos de intervenção da década de 70, dando voz à inquietude daqueles a quem o regime só oferece miséria.

A insustentabilidade do regime do MPLA e do novo Governo de João Lourenço vem do saque dos recursos do país para entregar ao capital estrangeiro quando mais de 60% da população vive com menos de 2 euros por dia. O ex-libris está em Luanda, uma urbe edificada para menos de 1 milhão de habitantes onde vivem hoje mais de 2 milhões com falta de saneamento básico, água potável, energia e serviços de saúde e educação dignos.

A luta da classe trabalhadora angolana encabeçada pelo setor mais militante da juventude rapper, fazendo lembrar o recente Y’en Marre no Senegal, mostra o caminho. É preciso enfrentar o regime e criar fissuras que possam abrir espaço à criação de uma real alternativa para as trabalhadoras e trabalhadores angolanos. É preciso colocar na ordem do dia uma nova independência contra o saque dos recursos do país pela burguesia internacional e a burguesia angolana ligada ao MPLA e contra um regime ditatorial que só serve para manter este saque contra o povo e os trabalhadores. É preciso a mais ampla solidariedade internacional para este combate contra um regime explorador e opressor do povo angolano.

Revivamos a gloriosa luta pela independência contra o colonialismo para nos libertarmos dos neo-colonialismos e da presença do capitalismo mundial em Angola.