É preciso uma alternativa dos trabalhadores à direita e à Geringonça

Passou o último Orçamento da Geringonça, aprovado por BE e PCP. Nada de novo para os trabalhadores: não contempla um aumento do salário mínimo que o transforme em salário digno; não acaba com a precariedade, nem dos estivadores nem dos milhares de trabalhadores a trabalho temporário, falsos recibos verdes ou “prestação de serviços”; não repõe o tempo de carreira, nem para os professores nem para os restantes funcionários públicos, que continuam bloqueados pelo SIADAP (sistema de avaliação) e cortes orçamentais; não reverte o desinvestimento em funcionários e serviços centrais como saúde, educação ou apoio social (creches, apoio a idosos e pessoas com deficência); não reverte as leis laborais da troika (cortes nas horas extra e trabalho aos feriados, facilidade nos despedimentos, ataques aos contratos coletivos). Resumindo: enquanto as grandes empresas crescem e enriquecem, enquanto pagamos a dívida e enchemos os bolsos dos senhores do Novo Banco e outros que tais, dão-se uma pequenas migalhas (das quais BE e PCP fazem outdoors) e a esquerda vota mais um Orçamento da Geringonça que não muda a vida real dos trabalhadores.

A luta dos estivadores mostra o caminho oposto, o caminho que queremos para 2019. Uma luta aguerrida e consequente disposta a enfrentar tudo e todos para conseguir dignidade para quem trabalha. Um luta que mostrou que o Governo não passa de um comité de gestão dos interesses dos banqueiros e das grandes multinacionais, como a Autoeuropa. Um Governo forte contra os trabalhadores, mas fraco frente às imposições do défice e da UE. Os estivadores não estão sozinhos. Em Portugal e no mundo, a classe trabalhadora sai a lutar e os estivadores estão rodeados pela solidairedade dos que têm os mesmos problemas e vêem na sua luta um exemplo. Ampliar a solidariedade e recolher fundos para permitir continuar esta luta é, por isso, central.

Mas é preciso ir mais longe. A luta dos estivadores mostra também que é preciso construir alternativas.

Não é possível estar com os estivadores e com o Governo “fura greves”. BE e PCP têm mostrado que estão comprometidos com o Governo e com o regime, presos à lógica do mal menor, e por isso não podem conduzir de forma consequente a luta contra a austeridade, a exploração e a precariedade, nem contra a UE e as suas imposições.

A luta dos estivadores mostra o caminho, não apenas pela sua força, mas pela necessidade que ela coloca de construir uma alternativa sindical, para levar as lutas a bom porto. Esse é o caminho que estão a fazer também os trabalhadores da Autoeuropa, ao formarem e começarem a construir um novo sindicato democrático e combativo.

Mas a luta contra a austeridade permanente do capitalismo em crise exige mais: exige uma alternativa à direita e à Geringonça; uma alternativa para lá das lutas sindicais, uma alternativa revolucionária, que lute por uma sociedade que acabe com toda com a exploração e opressão. E essa alternativa só poderá vir do caminho de luta e ousadia que se trilha hoje nos estivadores em Portugal, como nas ruas de França contra o rebaixamento do nível de vida ou nas ruas de Buenos Aires contra o encontro dos senhores do capitalismo mundial – G20. O Em Luta existe ao serviço de construir essa alternativa.