Contra a perseguição dos que lutam! Todo o apoio aos representantes do STCC de Braga!

No call-center da Concentrix, em Braga, todos os representantes sindicais foram afastados, sendo que o dirigente sindical Nuno Geraldes foi demitido após longo período de afastamento. Trata-se de um violento ataque contra a organização sindical. No Em Luta consideramos fundamental repudiar mais esta investida contra o direito de organização dos trabalhadores e solidarizamo-nos com o STCC e os seus representantes.

Precariedade e subcontratação

Como já é de conhecimento de todos, a precariedade das condições de trabalho impera nos call centers, sendo a subcontratação a regra. Vemos como as empresas fazem da mão de obra dos trabalhadores mais uma mercadoria, neste caso são três empresas envolvidas nas relações laborais. A Concentrix é uma multinacional norte-americana que presta serviço para a Apple. Tem cerca de 500 trabalhadores contratados por Empresas de Trabalho Temporário (ETT) e outsourcing, como a Manpower e a Randstad.

É fundamental combater a subcontratação e exigir o fim das empresas de trabalho temporário, que nada mais fazem do que vender a nossa força de trabalho para mais empresas lucrarem com a nossa exploração e, por isso, não toleram qualquer tentativa de organização dos trabalhadores.

greve anterior

O Governo tem responsabilidade

O combate à precariedade foi uma grande bandeira do último Governo, mas na vida real não houve avanços. O Governo não só não combate as ETTS como foi durante o governo da Geringonça que foi reaberto o call-center da Segurança Social adjudicado a uma ETT, e o call-center do IEFP e da Santa Casa da Misericórdia continuaram adjudicados a ETTs. A Geringonça contribuiu para que Portugal seja o 3º país da União Europeia com mais ETTs.

Também nada fez para regulamentar o sector dos call-centers, ainda que o STCCC tenha entregue uma petição com 6 mil assinaturas com exigências neste sentido.

A própria perseguição aos lutadores é legitimada pelo Governo quando não só não defende aqueles que são perseguidos pelas empresas, mas também incorre em perseguição e ilegalização da atividade sindical. Foi assim que o governo da Geringonça atuou com as greves dos estivadores, enfermeiros e camionistas, assim como com a luta dos jovens negros, quando reprimiu a manifestação na Avenida da Liberdade em 2019. Mesmo tendo mudado o Governo, nada indica que António Costa fará diferente nos próximos anos.

Unidade para defender o direito de lutar

É por esta postura do Governo que várias empresas se sentem confortáveis em perseguirem os representantes dos trabalhadores. O caso da Groundforce é mais um exemplo, quando apresenta uma queixa crime contra os membros eleitos da Comissão de Trabalhadores, numa tentativa de ilegalizar a atividade sindical.

Não podemos permitir a perseguição sindical! Temos que dizer que lutar não é crime! A greve, a livre organização dos trabalhadores e do povo pobre e a luta contra as desigualdades e injustiças são um direito!

É preciso a união das centrais sindicais (CGTP, UGT), sindicatos e comissão de trabalhadores para defender o direito à greve e à organização sindical!

Para combater a precariedade é preciso lutar pelo fim das ETTs e outsourcing, pela efetivação ao fim de um ano de contrato e pelo aumento imediato do salário mínimo!

 

Joana Salay e Danilo Moreira

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