Novos desafios para a classe trabalhadora em 2020

Reina o clima de pânico mundial devido ao coronavírus. A epidemia agrava-se e, na China, já matou mais de 1000 pessoas. A contagem de novas infeções já ultrapassa 2000 por dia. É, de facto, uma preocupação a ter em conta, num mundo onde o capitalismo impõe a interação desordenada com a Natureza, podendo trazer consequências imprevisíveis.

Não é apenas com este vírus que temos de nos preocupar, há vírus reais e metafóricos que poderão também trazer graves consequências se não estivermos atentos.

Em Portugal, morrem de gripe cerca de 3 mil pessoas por ano. Este número só é possível porque 25% das famílias portuguesas não têm dinheiro para aquecerem as suas casas no inverno. Pelo visto, o Parlamento não teve isso em conta quando determinou que o IVA da eletricidade se manteria a 23%. A realidade portuguesa é algo que passa longe da “casa da democracia”.

No entanto, parece conviver bem com o racismo, o outro vírus que temos que ter em conta. André Ventura sugeriu que Joacine Katar Moreira fosse deportada e as forças parlamentares consideraram que o Parlamento não precisaria de se pronunciar sobre o caso… com aval de BE e PC. Estes dizem ser aliados na luta contra o racismo e o avanço da extrema direita, no entanto, perdem oportunidades de o fazer para, assim, manterem a relação privilegiada com o poder. 

É o que fazem também quando se abstêm na votação do Orçamento do Estado, legitimando mais um orçamento feito através das regras do BCE. Com a justificativa de terem as contas certas, impõem as consta difíceis para os de baixo. Em tempos da imprevisibilidade dos efeitos do Brexit na economia da UE, é mais do que momento de se discutir o que ganharam os trabalhadores com a submissão do país ao Euro e ao pacto da Troika, um vírus do qual ainda não nos livramos.

Contra todos estes vírus, precisamos de anticorpos. Há que lutar para garantir que mais ninguém morra de frio neste país; lutar contra o racismo estrutural que divide a classe trabalhadora e a explora ainda mais; combater as forças de extrema-direita que fortalecem este discurso enquanto se submetem ao sistema. E há que ter clareza de que deste Governo não poderemos esperar mudanças e, portanto, a colaboração com o mesmo é para fortalecer o que aí está. O nosso remédio é a luta independente da classe trabalhadora e construir uma alternativa revolucionária em Portugal.