Para onde vai a economia mundial?

Os governos burgueses e a imprensa destacam a recuperação da economia mundial no terceiro trimestre deste ano e exaltam a “nova normalidade” que a permitiu. Um olhar mais aprofundado mostra, no entanto, uma realidade diferente.

Uma análise da dinâmica da economia mundial até agora, em 2020, mostra três momentos distintos, que esquematizaremos em cada um dos trimestres já contabilizados:

  • No primeiro trimestre, a economia mundial caiu cerca de 1,2%, como reflexo da desaceleração e da dinâmica recessiva que já vinha desde 2019 (as medidas restritivas contra a pandemia só começaram a ser aplicadas no final do período).
  • No segundo trimestre, houve uma queda média próxima de 10%, uma cifra cuja magnitude não se via desde a crise de 1929, com retrocessos históricos em muitos países, inclusivamente nas potências imperialistas. As medidas restritivas contra a pandemia impactaram a dinâmica anterior e geraram um salto qualitativo no retrocesso do PIB mundial.
  • O terceiro mostra um travão na queda e o início de uma recuperação em praticamente todos os países. As organizações financeiras internacionais preveem que essa recuperação se manterá no quarto trimestre e que vai continuar em 2021. Nessa alteração da dinâmica incidem essencialmente a retirada das restrições à pandemia (a hipócrita e criminosa política da “nova normalidade”) e o reflexo dos pacotes de ajuda dos governos imperialistas às empresas.

Um saldo líquido de retrocessos

No entanto, a recuperação no terceiro trimestre (e a que possivelmente ocorra no quarto) não é suficiente para compensar o retrocesso acumulado no ano e principalmente no segundo trimestre.

Qual será o saldo líquido sobre o PIB mundial? Respondemos rapidamente: será profundamente negativo. Nesse sentido, vejamos alguns cálculos e previsões.

  1. No seu último relatório, o FMI prevê uma queda global de -4,4%, com retrocessos superiores na maioria dos países imperialistas. Das grandes economias, apenas a China terá um saldo anual positivo (estimado em 1,9%), enquanto os EUA cairão 4,5%. [1]
  2. A OCDE prevê uma queda um pouco maior: -4,5%. [2]
  3. A previsão mais pessimista é a do Banco Mundial (BM) com uma queda de -5,2%. [3]

Isso significa que, em 2020, haveria o pior retrocesso da economia mundial desde a crise de 1929, muito superior à queda produzida em 2008 (-1,7%).

Mas vamos avançar um pouco mais. Todas essas organizações preveem que essa recuperação continue em 2021. O FMI prevê um crescimento de 5,2%; a OCDE 5% e o Banco Mundial 3%. Ou seja, se voltarmos à subida e queda dos números, na previsão mais otimista (FMI), no fim de 2021, o nível do PIB mundial somente se recuperará ao nível de 2019, enquanto que na previsão mais pessimista (BM) o saldo continuaria a ser negativo. Tudo isso, é claro, se não surgirem novos acontecimentos.

Que tipo de V?

Os economistas burgueses chamam de “rebote” o movimento ascendente que começa depois de uma queda que teria atingido o seu piso. Também é frequentemente referido como U ou V por causa da forma que essas oscilações assumem num gráfico sequencial.

Nesse caso, na mais otimista das previsões (FMI) ver-se-ia um V com braços simétricos (a recuperação equivale à queda) com um saldo líquido de 0. Se usarmos os números do Banco Mundial, obtemos uma forma assimétrica: a recuperação não coincide com o retrocesso e a altura do braço direito é menor que a do esquerdo. Nesse caso, alguns falam de uma forma semelhante ao símbolo da raiz quadrada, outros de “logo da Nike” (por causa do logotipo desta marca).

As previsões económicas têm sempre um caráter hipotético devido à quantidade de fatores próprios da economia e de fatores externos que incidem neles. Com esse cuidado, parece-nos que a dinâmica mais provável é a da recuperação em forma de raiz quadrada (ou seja, parcial) para depois tender a desacelerar. Tentaremos fundamentar isso.

Os parâmetros de uma análise marxista

O marxismo analisa a situação presente e as possíveis dinâmicas da economia capitalista com critérios diferentes dos economistas burgueses. Ele considera que o motor dessa economia é a busca pelo lucro ou, o que é a mesma coisa, a acumulação de novo capital.

Esse lucro capitalista é baseado na mais-valia; isto é, no novo valor criado na produção pela força de trabalho e não pago pelo salário. Marx assim define uma taxa de lucro que, considerada socialmente, deriva da divisão da mais-valia total extraída num determinado período pelo total do capital investido.

Por várias razões, que o próprio Marx analisa na sua obra O capital [4], a certa altura de um ciclo económico completo, a taxa de lucro tende a cair. Esse retrocesso vai acabar por se refletir também na queda do volume de investimentos capitalistas, gerando assim a fase descendente de um ciclo económico, o que Marx denomina crises cíclicas.

Marx faz, então, duas considerações importantes. A primeira é que essas crises são uma parte absolutamente normal (e, nesse sentido, inevitáveis) do processo de acumulação do capital. A segunda é que as próprias crises proporcionam as condições para superá-las.

Existem dois mecanismos básicos para essa superação. O primeiro é o aumento da extração da mais-valia ou, o que é o mesmo, o aumento da massa da mais-valia total. Algo que se consegue reduzindo o valor real dos salários e aumentando a produtividade.

O segundo é a queima de capitais, por meio do encerramento de empresas, fusões e aquisições pelos mais fortes. Vai haver, assim, um processo que Marx denomina centralização do capital (reduzindo o número de burgueses que o controlam).

Restabelecido o equilíbrio de uma taxa de lucro satisfatória, a dinâmica dos investimentos é retomada e inicia-se assim uma nova fase ascendente da economia. Por outras palavras, um novo ciclo.

O que acontece agora?

Ou seja, para o marxismo, é necessário observar a situação da taxa de lucro e do nível de investimentos para formular tanto o diagnóstico do momento presente quanto para formular hipóteses sobre a dinâmica.

Se analisarmos a seguinte tabela, elaborada pelo economista marxista britânico Michael Roberts, vemos que, a partir do final de 2018, começa uma queda na taxa de lucro (que se refletiu ao longo de 2019 para terminar com uma dinâmica recessiva) e que esta queda se torna muito mais abrupta e pronunciada em 2020 [5]. Ou seja, qualquer recuperação da taxa de lucro para “níveis satisfatórios” deve partir desse poço em que caiu.

FONTE: https://www.nuevatribuna.es/articulo/global/notas-reflexiones-crisis-capitalista-2020-2021/20201004101328179783.html

Vejamos agora a questão dos investimentos através de um exemplo. No terceiro trimestre deste ano, a economia dos Estados Unidos teve um crescimento de 7,4% em relação ao trimestre anterior [6]. Uma análise dos dados apresentados pelos relatórios trimestrais do BEA (sigla em inglês do Gabinete de Análises Económicas) mostra que esse crescimento foi produzido pelo acúmulo de pequenos aumentos em diversos ramos (gastos em consumo pessoal e investimentos privados, entre eles.) [7].

Porém, no item “investimentos privados” ele informa que “Esse aumento reflete principalmente um aumento do comércio de retalho (liderado pelos distribuidores de veículos automotores)”. Ou seja, é um crescimento que ocorre pela utilização do que se denomina “capacidade ociosa” (potencial produtivo não utilizado nas indústrias que alcançaram recordes históricos em 2020) e no movimento do estoque acumulado, e não em novos investimentos. Encontramos um panorama semelhante nas economias da zona do Euro e no Japão.

Com uma taxa de lucro que caiu muito abaixo e com níveis muito pobres ou inexistentes de novos investimentos, essa recuperação começa então com uma base e com um impulso muito fracos. A burguesia aspira, no melhor dos casos, recuperar os níveis anteriores, mas mesmo este objetivo parece difícil de ser alcançado.

O recrudescimento da pandemia

Dissemos que o impressionante retrocesso da economia mundial no segundo trimestre deste ano foi resultado do impacto das medidas restritivas adotadas contra a pandemia do Covid-19, que agravaram o declínio já existente. Dissemos também que este início de recuperação deve-se essencialmente à retirada das restrições e à política criminosa da “nova normalidade” promovida pelas burguesias (sem ter vencido a pandemia) para recuperar os seus níveis de lucro, mesmo à custa de milhões de infectados e muitíssimos mortos da classe trabalhadora.

Mas essa política regressa como um bumerangue com o ressurgimento da pandemia, que regressa aos níveis críticos (ou até mais altos) dos meses anteriores em muitos países que pareciam estar a conseguir estancar (Europa) ou que nunca a estancaram (Estados Unidos). Nesse quadro, sem abandonar o impulso criminoso à “nova normalidade”, muitos governos são obrigados a adotar convulsivamente um regresso às medidas parciais de restrição, como estamos a ver na Europa ou em vários estados dos Estados Unidos.

Existe inclusivamente a possibilidade de que essas medidas sejam mais rígidas, pelo menos até que se generalize a aplicação de vacinas eficazes. Algo que, no melhor dos casos, exigirá todo o ano de 2021.

Então, o regresso às medidas restritivas e o sentimento de insegurança sanitária que permanece (e o seu reflexo político e económico) são um obstáculo à recuperação que as burguesias tanto almejam. É um fator importante a considerar, cuja estimativa ainda não pode ser prevista.

A brutal queda do nível de vida das massas

Se em todas as crises a burguesia ataca o nível de vida dos trabalhadores e das massas para aumentar a massa de mais-valia extraída; nessa em particular, este ataque adquiriu características brutais: demissões massivas e suspensões, redução salarial, eliminação de conquistas, aumento da precarização do trabalho, etc. Os números do crescimento do desemprego, pobreza, miséria e fome em todos os países (mesmo nas potências imperialistas) são impressionantes. A isso devemos acrescentar o sofrimento e os riscos causados ​​pela pandemia.

Mas mesmo com a brutalidade desse ataque, o capitalismo não consegue, por enquanto, uma recuperação da taxa de lucro. Precisa não apenas consolidar os ataques que fez, mas avançar ainda mais. Por outras palavras, esta recuperação parcial da economia não representará simultaneamente uma melhoria do nível das massas, mas sim uma continuidade dos ataques por parte das burguesias e dos seus governos. O próprio relatório do FMI adverte que “a pandemia reverterá os avanços realizados desde os anos 1990 na redução da pobreza e aumentará a desigualdade”.

As contradições da queima de capitais

Vimos que o segundo caminho que a burguesia utiliza é a queima de capitais. Esse processo está a ocorrer com o encerramento de muitas pequenas e médias empresas no mundo, e também com as “podas” realizadas pelas gigantes através do encerramento de fábricas e setores, e da redução de outras. Um exemplo disso é a restruturação do conglomerado metalúrgico alemão Thyssenkrupp [8].

Ao mesmo tempo em que ocorre essa queima (diríamos “natural”), governos e bancos centrais “injetam” quantias fabulosas nos mercados para conter a crise e tentar revertê-la. Mas apenas uma fração menor desses “pacotes de ajuda” gera novos investimentos produtivos. A maior parte permanece nas mãos dos bancos e do setor financeiro.

Na crise de 2007/2008, os bancos usaram essas “ajudas” para cobrirem os seus déficits e evitarem a falência. Nesta, diretamente, representa um ganho financeiro fabuloso (que foi recorde em 2019) e a criação de fortes reservas para contingências futuras, em 2020, que disfarçam esses lucros na contabilidade [9].

É a exacerbação de uma contradição profunda do capitalismo atual: enquanto a economia como um todo retrocede (para não falar da situação dos trabalhadores e das massas), o setor financeiro e especulativo ganha cada vez mais e fortalece-se com “reservas”. Isso mostra os dados que fornecemos e também a alta do índice S&P 500 em Wall Street.

Isso não só acentua cada vez mais o caráter especulativo parasitário do capitalismo imperialista, já analisado por Lenin na sua famosa obra sobre o imperialismo, mas também representa um obstáculo à recuperação da taxa de lucro porque acentua a proporção de capital improdutivo no volume total de capital. Ou seja, a proporção do capital que não ajuda a gerar nova mais-valia, mas disputa (com vantagens, como vimos) a sua apropriação [10].

A curva descendente

Até o momento, analisamos alguns dados e características da crise atual e suas possíveis perspectivas. Achamos interessante revisar, mesmo que brevemente, alguns processos de longo alcance que a enquadram.

Todo um setor do marxismo considera que, além dos ciclos curtos e suas crises estudados por Marx em O capital, estes se entrelaçam em séries longas de natureza ascendente ou descendente (ou estagnação) por uma combinação de fatores mais complexos (externos e internos à economia) do que os analisados ​​por ele.

Em seu escrito A curva do desenvolvimento capitalista, Leon Trotsky afirma que os ciclos capitalistas não são iguais entre si, e tampouco é o seu saldo. Se a recuperação for maior que a queda (e isso se repete), podemos falar de uma curva de desenvolvimento ascendente. Ao contrário, se for menor, a curva geral será descendente. Finalmente, se ambos forem equiparados, podemos falar de um momento de estagnação [11]. Vimos que, sob esta perspectiva, a recuperação atual muito possivelmente será menor que o declínio (ou, nas previsões mais otimistas, uma estagnação difícil).

Junto com isso, é necessário considerar que as crises não são iguais em profundidade e impacto. O crash de 1929 (também precedido por uma grande “festa financeira” na Bolsa de Valores de Nova York), por exemplo, teve um impacto muito profundo e abriu uma curva descendente de ciclos (conhecida como a Grande Depressão) que só seria superada após a Segunda Guerra Mundial.

Pela nossa parte, consideramos que a crise de 2007/2008 teve um impacto, no mínimo, igual ao de 1929 e que foi também o início de uma longa curva descendente. Opinião também compartilhada por Michael Roberts [12].

Usando um bom critério marxista, ele mostra que a rentabilidade capitalista hoje é muito baixa (enquanto as dívidas acumuladas são muito altas). Se olharmos novamente para a tabela preparada por ele, vemos, por um lado, uma tendência de longo prazo para o decrescimento da taxa de lucro, desde os anos dourados do boom econômico do pós-guerra.

Por outro lado, para além dos seus altos e baixos, como esta tendência se acentuou desde 2007/2008. Conclui então que esta curva descendente continuará até que o capitalismo imperialista consiga restaurar uma lucratividade satisfatória. Concordamos com esse ponto de vista.

A luta entre o “velho” e o “novo” capital

O capitalismo é caracterizado por uma disputa permanente entre diferentes setores do capital. Uma luta que se agrava em períodos de crise. Um aspecto muito importante dessa disputa é entre o capital “novo” e o capital “velho”.

O “novo capital” direciona seus investimentos para o desenvolvimento e incorporação de novas tecnologias que aumentam a produtividade e aceleram o ciclo de reprodução e acumulação. Essas novas tecnologias, em vários casos, geram reestruturações nos processos produtivos, surgimento de novos produtos e mudanças de hábitos de consumo que reforçam o ciclo. O “velho capital” deve competir em condições desfavoráveis ​​e é forçado a se reestruturar, reduzir e até desaparecer.

Vejamos dois exemplos históricos: o surgimento do automóvel condenou o desaparecimento da produção de carroças; o surgimento da petroquímica impactou toda a indústria, mas reduziu principalmente o setor têxtil de fibras naturais.

Nas últimas décadas, o desenvolvimento mais dinâmico ocorreu na combinação da eletrônica e da computação, dando origem à informática e, em seguida, sua combinação com as comunicações, no que se denominou telemática. Simultaneamente, isso se expressou na robotização dos processos de montagem e outros.

Não só gerou profundas reestruturações nos métodos de planejamento, produção e administração, mas também mudanças nos produtos demandados e nos próprios hábitos de compra. Computadores pessoais portáteis, tablets e telefones celulares (inexistentes há duas décadas) são agora mercadorias massivas e as compras virtuais estão em constante crescimento.

Algumas dessas tecnologias estão em constante renovação. Não é por acaso que o centro da disputa comercial entre os EUA e a China é o controle da produção e dos mercados da tecnologia 5G para telemóveis e computadores [13].

Hoje falamos do FAANG, sigla que reúne Facebook, Amazon, Apple, Netflix e Alphabet-Google, aos quais posteriormente se juntaram as empresas Alibaba, Baidu, NVidia, Tesla e Twitter (todas relacionadas às novas tecnologias). FAANGs são as estrelas dos índices de ações S&P 500 e Nasdaq. Apenas quatro empresas (Amazon, Alphabet e Facebook + Microsoft) acumulam um quarto do capital representado no S&P 500 [14].

O caso Tesla é muito interessante. Fundada em 2003, teve um desenvolvimento exponencial com a fabricação de automóveis de motores elétricos e seus projetos em andamento para a construção de duas novas fábricas no Texas (EUA) e nos arredores de Berlim (Alemanha), que empregarão 5.000 trabalhadores cada um [15].

Precisamente, a indústria automotiva é um exemplo interessante de processos simultâneos e contraditórios entre capitais novos e velhos. Enquanto fecha fábricas e reduz no setor de veículos com motores de combustão interna, esse setor tenta-se reconverter e investir no de veículos movidos a eletricidade. A agência Reuters estimou que grandes empresas têm planos de investimentos de 90 bilhões de dólares para esse empreendimento. Porém, no setor de veículos elétricos esta produção ainda representa menos de 1% do total [16].

Essa disputa entre capitais velhos e novos, ou seja, a dinâmica da proporção entre eles, é um fator muito importante na dinâmica mais geral da curva de desenvolvimento que vimos. As FAANGs (e o setor de novas tecnologias) são as empresas de maiores lucros e os acumuladores de capital de crescimento mais rápido. Assim, ajudam a dinamizar o processo como um todo. No entanto, embora tenham tido impacto em vários aspectos, ainda não podem ser uma locomotiva que puxa todo o grupo, cuja rentabilidade -como vimos – é “muito baixa” devido ao peso maioritário que conserva o capital “velho”.

Há um processo, que já mencionámos, que agrava esse quadro do capitalismo imperialista: a tendência crescente da proporção do capital especulativo e parasitário (totalmente improdutivo), cuja dinâmica de reprodução também é muito rápida e que, ao se apropriar (“devorar”, diríamos) de uma parte importante da massa de mais-valia extraída na produção, “puxa para baixo” a taxa de lucro dos outros setores e impede uma reversão rápida da direção da curva.

A luta de classes

Deixamos para o final um fator essencial na dinâmica de todo o processo. Os ataques brutais da burguesia sobre os trabalhadores e as massas baixam constantemente o seu padrão de vida (ou o que é o mesmo, a fração do novo valor produzido que recebem). Mesmo assim, a burguesia não consegue recuperar uma taxa de lucro satisfatória nessas condições históricas e os ataques continuam de forma constante.

Mas nesse processo provoca condições tão intoleráveis ​​para os trabalhadores e as massas que geram explosões e processos revolucionários em vários países, e sua simultaneidade. Esta foi a situação que vivemos no ano passado, antes da pandemia [17]. São lutas e processos que provocam crises em governos e regimes (mesmo nos Estados Unidos com a rebelião antirracista) e até derrubam alguns deles.

O impacto da pandemia do Covid-19 abriu um impasse nessa dinâmica que agora parece ser retomada com os recentes acontecimentos no Peru e com inúmeras lutas, menos impactantes e difundidas, em outros países. As burguesias tentam manobrar para frear e diluir esses processos, por meio de táticas como as eleições. Em outros casos, apelam diretamente para a repressão, como parece ser o caso na Belarus.

A luta de classes é uma “dor de cabeça” na necessidade burguesa de recuperar sua taxa de lucro. Em seus resultados (vitórias e derrotas) estão grande parte da dinâmica da curva. Ao mesmo tempo, há a possibilidade de lutas mais generalizadas e profundas que avancem no caminho da destruição deste sistema capitalista imperialista cada vez mais retrógrado e desumano e sua substituição por um sistema muito mais racional e humano, através da revolução socialista.

Alejandro Iturbe

NOTAS:

[4] Ver especialmente o capítulo XIII do volume III.

[5] A tabela foi retirada de https://www.nuevatribuna.es/articulo/global/notas-reflexiones-crisis-capitalista-2020-2021/20201004101328179783.html. Para uma visão mais geral da análise de Roberts, veja a entrevista publicada nesta página em: https://litci.org/es/la-larga-depresion-entrevista-a-michel-roberts/

[10] Sobre esse assunto, sugerimos a leitura do livro O sistema financeiro e a crise econômica mundo de Alejandro Iturbe, Editora Sundermann, São Paulo, Brasil, 2009.

[12] ROBERTS, Michael, The Great Depression. Entre outras edições, veja a do editor Topo Viejo, Buenos Aires, Argentina, 2017.

[15] Veja: https://es.cointelegraph.com/news/tesla-stock-surpasses-1-200-now-30-higher-than-bitcoin-market-cap; https://cincodias.elpais.com/cincodias/2020/06/25/companias/1593092391_976427.html e https://parabrisas.perfil.com/noticias/novedades/asi-sera-la-fabrica-de-tesla-en-alemania-elon-musk-giga-berlin.phtml

Tradução: Tae Amaru