A NOSSA CLASSE AVIAÇÃO

Nacionalizar a SPDH/Groundforce, pagar salários e impedir mais despedimentos!

A aviação foi a galinha dos ovos de ouro do turismo nos últimos anos. A Groundforce não foi excepção. Os lucros chorudos foram conseguidos à custa de poucos funcionários para muitos passageiros, da precariedade, da saúde e da vida social e familiar dos seus trabalhadores. Hoje a pandemia implicou importantes quebras nos serviços aeroportuários. Mas aqueles que sustentaram o crescimento da empresa, hoje são descartados sem dó. Primeiro foram os trabalhadores das empresas de trabalho temporário, depois os precários da SPDH, os cortes do lay-off e reduções de horário nos efetivos.

Agora são os salários em atraso… Haverá maior injustiça? Os trabalhadores cumprem a sua parte, mas a empresa tem o desplante de nem lhes pagar? Os trabalhadores só vivem do que ganham e na maior parte das vezes mal chega ao fim do mês. Como viver sem o salário, quando as contas e as bocas para alimentar não deixaram de lá estar? Só os que vivem à custa do trabalho dos outros podem ter o desplante de não lhes pagar… Se dúvidas havia, fica claro a quem serviu a privatização da Groundforce/SPDH. O acionista privado Urbanos sugou o dinheiro que quis no tempo das vacas gordas, no tempo das vacas magras, mete no bolso o que ganhou, diz que não há dinheiro e deixa quem trabalha, sem nada.

Perante este cenário, o empréstimo com aval do estado não é solução, porque não garante nem salários nem postos de trabalho. É continuar a dar lucro a privados, que só sugam dinheiro para seu beneficio próprio, não excluindo que daí a poucos meses estejamos na mesma situação. Não é solução agora como não era solução no passado quando a Groundforce passou da esfera pública da TAP para ter acionistas privados, significando apenas uma queda das condições para quem nela trabalhava.

O handling, tal como o transporte aéreo da TAP, é um setor estratégico para o país. O modelo low-cost de baixs salários e maus serviços, de que o grupo TAP se vem aproximando cada vez mais, não serve nem os trabalhadores da empresa, nem os trabalhadores do país, que precisam de um serviço aéreo e aeroportuário público e de qualidade.

O que hoje é na TAP e na Groundforce, amanhã será  exemplo para todos os setores. Para que possamos trabalhar todos é preciso dividir o trabalho existente por todos trabalhadores, sem redução salárial. Mas isso depende de acabarmos com a farra dos lucros privados e que os trabalhadores tomem os destinos nas suas mãos.

Por isso, exigimos que o governo de António Costa garanta a nacionalização da SPDH/Groundforce, garantindo salários e postos de trabalhado. Essa é a única solução.

No entanto, vendo o que foi imposto pelo governo e assinado pelos sindicatos na TAP, os trabalhadores da Groundforce devem estar alerta. A nacionalização sozinha não será a solução. É preciso garantir o seu controlo pelos trabalhadores e não por interesses do governo Costa ao serviço dos interesses privados e das atuais regras da UE e não dos trabalhadores. E isso só a mobilização dos trabalhadores conseguirá.

Por isso, os trabalhadores não se podem entregar às mesas de negociação e aos empréstimos, como fazem os sindicatos do setor prometendo salvações imediatas e soluções concretas. É preciso que os trabalhadores se mobilizem e que busquem solidariedade de outros setores nacional e internacionalmente. Porque o ataque em curso será para todos. Falinhas mansas já mostraram os resultados. Falta passar à ação.