A NOSSA CLASSE

Unificar as lutas para derrotar o governo de Costa

Há pouco mais de um ano, o Governo de António Costa tomou posse. Apesar da estabilidade conferida por ter obtido uma maioria absoluta, o governo vive uma profunda crise. São escândalos atrás de escândalos de membros do Governo e favorecimentos a eles associados. Mas é, acima de tudo, o escândalo de país em que vivemos: uma classe trabalhadora a braços com a crise da inflação, da habitação e da destruição dos serviços públicos.

O outro país

Nas fotos do Instagram vemos o país das lindas paisagens e das comidas maravilhosas que atrai milhões de turistas. Mas a classe trabalhadora sabe que existe outro país, onde as desigualdades, a fome e as pessoas que moram na rua crescem a olhos vistos.

Fica claro que o Governo Costa é o Governo dos grandes patrões e da total submissão à UE: hoje são os chefes da farsa que é a democracia dos ricos.

O PSD-CDS ou o Chega e a Iniciativa Liberal fazem escândalos contra o governo, mas partilham a mesma agenda, com propostas ainda mais repressivas sobre a classe trabalhadora. Por isso, grande parte da classe trabalhadora vê como única solução uma nova geringonça que puxe o PS à esquerda. PCP e BE concordam, aceitando as regras da UE e o jogo da democracia burguesa em que “devemos” esperar as eleições de 4 em 4 anos para resolver os problemas que para a classe trabalhadora são de vida ou morte. Discordamos totalmente. A classe trabalhadora tem que trilhar outro caminho.

A classe trabalhadora resiste

Temos visto crescer os setores que saem a lutar contra o governo. Os professores protagonizaram das maiores lutas nos últimos anos contra a injustiça e precariedade dos concursos, bem como o não reconhecimento do seu tempo de serviço, que significa um roubo direto da sua carreira. Mas não estão sozinhos. No passado dia 3 de junho, os profissionais da saúde saíram à rua por todo o país para defender o SNS contra a degradação acelerada da saúde pública. São os trabalhadores dos transportes, como é o caso da CP, e os trabalhadores da administração pública ou do lixo, que têm feito várias greves contra a perda salarial constante. A estes juntam-se ainda os jovens estudantes que têm colocado na agenda o problema das alterações climáticas e a falta de uma política do Governo para uma verdadeira transição energética.

Unificar as lutas, construir uma greve geral para derrotar Costa nas ruas

Todavia, estas lutas têm-se mostrado insuficientes. Por um lado, na maior parte dos casos têm um caráter corporativo, marcando um calendário de protesto, mais do que um verdadeiro plano de luta para derrotar totalmente as medidas do governo. Por outro lado, estão fragilizadas pelo seu isolamento contra uma maioria absoluta, bem como pela política das suas próprias direções, que muitas vezes dividem para reinar, como se mostrou no caso dos professores em que as divisões sindicais e a ausência de uma luta conjunta deu espaço à imposição do Governo, contra toda a classe docente.

A unificação das lutas dentro de cada setor, mas também entre os setores em luta é determinante para se avançar. A maior parte dos problemas que enfrentamos são transversais a vários setores, com a centralidade do problema dos baixos salários e carreiras desadequadas na saúde, educação, serviços e transportes públicos, numa situação de alta da inflação provocada essencialmente pela especulação das grandes superfícies. Ou o problema da habitação, que coloca diretamente a intervenção do estado, contra a especulação imobiliária e o modelo do turismo.

Unificar as lutas existentes é o primeiro passo para a construção de uma grande greve geral que possa derrotar Costa. Só essa força unificada da classe trabalhadora pode responder à altura à prepotência de uma maioria absoluta, que não para de nos atacar. Só da força viva da luta e de uma derrota do governo nas ruas pode emergir uma alternativa, pois só a classe trabalhadora pode dar um outro rumo a este país.