Viva a luta dos estivadores e do SEAL! É preciso lutar e é possível vencer!

Hoje é um momento de comemoração para os estivadores e para o SEAL (Sindicato dos Estivadores e da Actividade Logística) e, acima de tudo, para todos os trabalhadores.

As lições do processo

A vitória de hoje deixa explícito que, afinal, quando se luta, pode-se conquistar vitórias. Diz-nos que, ao contrário de individualistas, os trabalhadores são solidários entre si e, quando organizados, também o podem ser a nível internacional. Ensina-nos que a nossa força é coletiva e que apenas juntos avançamos e conseguimos derrotar o medo; que, afinal, existem sindicatos diferentes e que com estes – democráticos, combativos e que defendam apenas os interesses dos trabalhadores – é possível vencer. Mostra-nos que os governantes e os patrões só ouvem a classe trabalhadora quando esta demonstra a sua força e que o mundo pára quando os verdadeiros produtores param de produzir.

Governo: de carrasco fura-greves a mediador contra a precariedade. É preciso uma alternativa à Geringonça e à direita

O Governo, que pretendeu aparecer hoje como interessado na resolução do conflito “a bem das duas partes”, foi o mesmo que, durante anos, fechou os olhos a esta situação, e que há meses dizia que o porto de Setúbal “não tem dimensão para absorver um tão elevado número de mão-de-obra de forma permanente”; que há dias preferiu organizar uma operação policial em conluio com as empresas do porto para que estas pudessem garantir os seus lucros, passando por cima dos direitos dos precários, dos efetivos e de todos os trabalhadores que alguma vez queiram lutar pelo direito a uma vida digna. Do dia 22 de novembro até hoje, o que fez o Governo mudar de ideias foi a força e a organização dos estivadores, que, com o seu sindicato, disseram até ao fim “Nem um passo atrás!” e “Ninguém fica para trás!”.

Por fim, as vitórias de hoje não nos podem fazer esquecer das limitações que subsistem do lado dos trabalhadores. A Geringonça não virou, como dizia, a página da austeridade, e a força das greves do final deste ano aí está para o demonstrar. Lembre-se de que, dias depois da ilegalidade cometida por este Governo contra o piquete de estivadores em Setúbal, BE e PCP aprovavam um Orçamento que, mais uma vez, não virará a página da austeridade, pelo contrário.

É necessário aprender que sem lutarmos nada conseguimos, mas também que sem uma organização política que represente os nossos interesses, que não ceda à lei do mal menor que esta Geringonça apregoa e que construa uma alternativa de sistema, um projeto socialista revolucionário que assente no ser humano ao invés de no lucro, os avanços que conseguirmos, mais cedo que tarde, vão retroceder. É este o desafio que o Em Luta pretende lançar.