A greve dos enfermeiros, como a dos estivadores e a da Autoeuropa, é também a nossa luta!

A Europa está quente neste inverno. O centro é, sem dúvida, a França, com os coletes amarelos a conseguirem a suspensão do aumento dos combustíveis, entre outras conquistas. Portugal também desperta a atenção: fala-se do número atípico de greves a acontecer e analistas, colunistas e jornalistas dão as suas opiniões discrepantes para explicarem o fenómeno.

Destacamos traços comuns nestas greves: são tecnologicamente atuais, recorrendo ao uso do Whatsapp e Facebook ou recurso ao Crowdfundig, são convocadas maioritariamente por sindicatos independentes e alternativos, são greves prolongadas, ao contrário dos previsíveis 1-2 dias do sindicalismo tradicional, recorrem a fundos de greve e a campanhas de solidariedade para apoiar a perda salarial dos grevistas, para que as lutas subsistam e se consigam vitórias – contra o idealismo daqueles que dizem que as greves ficam desvirtuadas, a verdade é que há contas para pagar no fim dos mês.

A luta dos enfermeiros, iniciada com greves passadas, é pelo reconhecimento das suas carreiras e por melhores salários. Agora, a mais mediática das greves é mais uma mobilização de trabalhadores contra a falsa ideia de reversão da austeridade que o PS e os seus parceiros apregoam – é “natural” que fiquem magoados com os enfermeiros e os ataquem com injúrias, pois estão ligados por um compromisso. Contudo, um Governo de esquerda a atacar trabalhadores só lhes fica mal!

Para a Geringonça existe direita e esquerda, não existem trabalhadores. Sem se aperceberem, vão abrindo espaço à direita, esquecendo que os enfermeiros são trabalhadores insatisfeitos – ou não têm razões para tal? Serão os enfermeiros desonestos? Acreditamos que não e dizemos em sua defesa que estamos com eles e gritando bem alto o seu slogan “chantagem e coação dão-nos mais força e união”.

Os enfermeiros foram dos trabalhadores que mais emigraram com a austeridade por falta de colocação e pelos baixos salários, embora os hospitais e o SNS precisem deles como de pão para boca. O ataque que sofrem por parte da imprensa e dos partidos são o continuar da forma como têm sido tratados nas últimas décadas, em particular durante esta última fase da asteridade. O Governo, em vez da submissão orçamental à União Europeia e à banca, devia era apoiar estes trabalhadores pela sua importância e centralidade na prestação de uma saúde pública e de qualidade. É o Governo da Geringonça que continua a destruir o SNS com a contenção Orçamental em nome do défice, não os enfermeiros com a sua luta. Não haverá SNS público, gratuito e de qualidade sem profissionais com direitos, carreiras e condições. As reivindicações dos enfermeiros são justas e têm toda a nossa solidariedade e apoio. Foi assim com os estivadores e esperemos que seja também com os enfermeiros.