A primeira derrota das populações do Barroso na sua luta contra a exploração do lítio, mineral essencial para baterias de carros elétricos e a denominada transição energética, afetou o concelho de Boticas. Também lá, a APA emitiu uma Declaração de Impacto Ambiental (DIA) favorável ao negócio, neste caso capitaneado pela britânica Savannah Resources. Para o ativista e investigador de ecologias políticas, Francisco Venes, trata-se de “um estudo de impacto ambiental debilitado e comprometido pelas relações clientelares entre empresas privadas, centros de investigação e o Estado português”.
Agora foi a vez da mina do Romano, no concelho de Montalegre. Para Armando Pinto, um dos fundadores da associação Montalegre com Vida, o projeto da empresa Lusorecursos “vai destruir a região” e terá “impactos completamente arrasadores” para as populações.
A luta vai continuar
A população e os ativistas ambientais prometem não baixar os braços e continuar a luta contra o lítio, seja nos tribunais, seja em atividades de mobilização, como as acampadas “em defesa do Barroso”, que este ano teve a sua terceira edição. Para eles, todas as garantias dadas pelas empresas e pela APA não são reais. Consideram que a exploração mineira será um acelerador da desertificação da região, de destruição dos empregos existentes na agricultura e no turismo, atualmente em crescimento, além de devastar o meio ambiente.
“Não percebemos como é que, para despoluir, temos que destruir florestas, destruir o meio ambiente, destruir cursos de água, destruir a vida das populações que cá vivem”, lamentou Nelson Gomes, presidente da Associação Unidos em Defesa de Covas do Barroso.
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Luta contra o lítio também em França
Echassières é uma aldeia típica do departamento de Allier, na região de Auvergne, no centro da França. É assim descrita pelo site Information France: “É uma terra suave de colinas e vales ondulantes, repleta de florestas e riachos e atravessada por vários dos grandes rios da França, como o Loire, o Cher e o próprio Allier”. Pois este verdadeiro paraíso está ameaçado pela multinacional francesa Imerys e o seu projeto de extração do lítio a partir de 2028, entusiasticamente apoiado pelo governo de Emmanuel Macron.
“Em França não temos petróleo, mas temos lítio”, gabou-se o presidente francês. “Vão saquear todo o terreno, tudo por algumas toneladas de lítio”, previu o ambientalista Xavier Thabarant, que se opõe à exploração da jazida em Echassières. O projeto da Imerys é transformá-la na maior mina de lítio da Europa.
Thabarant, que pertence a uma associação local que defende a proteção da floresta que faz fronteira com o projeto mineiro, a Floresta das Colettes, explica por que ele e um grupo de outros moradores estão a fazer campanha contra o projeto da mina: “Teremos essa mina por 20-25 anos, talvez 30 anos, quem sabe, para extrair lítio que usaremos para fazer algumas baterias. Em 50 anos ficaremos sem lítio. E não restará nada aqui além de destruição”.

