Por um 1º de maio de luta! Contra todos os Governos! Em defesa de uma revolução socialista!

Hundreds of protesters gathered in Cape Town’s Keizersgracht Street ahead of the general strike organised by the South African Federation of Trade Unions (Saftu) against the national minimum wage proposal, 25 April 2018. Photo by Leila Dougan

Há 132 anos, a burguesia norte-americana condenou à morte operários que lutavam por uma menor jornada de trabalho. O movimento operário transformou o 1º de maio numa referência internacional de luta contra a burguesia.

Declaração da LIT-QI

As burocracias sindicais e partidos reformistas procuram transformar esta data no seu oposto, num dia de confraternização com a burguesia e os seus Governos. Nós dizemos não! Hoje existem cada vez mais motivos para lutar contra a burguesia e os seus agentes.

Os salários têm vindo a diminuir em termos reais no mundo. Existe uma precarização cada vez maior dos contratos de trabalho, com ataques aos direitos de férias e reformas. Os serviços públicos de saúde e educação são degradados.

Os imigrantes sofrem com a repressão xenófoba dos Governos e condições humilhantes de trabalho. Hoje eles já são maioria em muitos trabalhos nos países imperialistas. É preciso impedir que os Governos dividam os trabalhadores como um todo dos imigrantes. Os imigrantes não são os culpados do desemprego, e sim a burguesia. Como diz a letra da Internacional “Paz entre nós, guerra aos senhores”.

O assassinato crescente de mulheres, a violência policial brutal contra a juventude negra, o assassinato de LBGTs marcam o quotidiano de todas as cidades do mundo. A opressão nacional continua a aprofundar-se, como se demonstra na Catalunha e em Cachemira.

Existe uma repressão cada vez maior das lutas, com a criminalização dos movimentos sociais e perseguição aos seus dirigentes, como o assassinato de Marielle no Brasil e a perseguição a Sebastián Romero na Argentina.

O pano de fundo dessa situação é que as grandes empresas multinacionais querem impor aos trabalhadores um retrocesso de 150 anos em conquistas para pagar os custos da crise económica aberta em 2007-09. Para isso, Governos burgueses de direita e de “esquerda” aplicam planos de austeridade cada vez mais duros e reprimem cada vez mais os trabalhadores.

Não há o que comemorar sobre a situação dos trabalhadores. Mas existem lutas importantes dos trabalhadores contra essa mesma situação. No mundo todo crescem os exemplos de greves importantes, greves gerais, grandes mobilizações de rua e mesmo de insurreições populares contra essa situação.

Existe uma verdadeira guerra social das multinacionais contra os trabalhadores. Só não existe uma guerra maior dos trabalhadores contra a burguesia porque os partidos reformistas e as burocracias sindicais são aliados dos Governos burgueses.

O 1º de maio de 2018 surge num momento de polarização da luta de classes e de instabilidade política crescentes em todo o mundo. E é necessário que seja um dia de afirmação da luta dos trabalhadores e da sua independência perante a burguesia.

Trump é a verdadeira cara do imperialismo!

O Governo imperialista tem a cara da ultra direita xenófoba, racista, machista e LGBTfóbica de Trump. A face mais visível do imperialismo é a desse Governo, que ataca os imigrantes, quer destruir os sindicatos nos EUA e apoia a transferência da capital israelita para Jerusalém, numa clara provocação contra os palestinianos.

Agora, Trump fez um ataque militar contra a ditadura de Assad na Síria com aviso prévio a a Putin e ao próprio Assad. Nós repudiamos esse ataque imperialista. Nada de bom virá do imperialismo. Trump só faz esse jogo de cena militar para participar em melhores condições das negociações com Assad.  São os próprios sírios que devem derrubar a ditadura genocida de Assad.

Mas o peso do imperialismo não se resume a Trump. A União Europeia é outro pilar do imperialismo mundial, que tenta apresentar-se como uma versão “democrática”, mas é a base da imposição do imperialismo alemão sobre os povos da Europa e do mundo.

O imperialismo também se expressa nos planos de austeridade impostos por todos os Governos do mundo a serviço das multinacionais. O mundo vive uma intensificação impressionante da exploração a serviço de alguns monopólios internacionais. A pobreza alastra a níveis nunca vistos.

Nenhuma confiança nos governos burgueses, de direita ou de “esquerda”

A polarização mundial da luta de classes expressa-se em Governos de partidos de direita, como Trump, Macron (França), May (Inglaterra), Rajoy (Estado espanhol), Macri (Argentina), Temer (Brasil), Santos (Colômbia), Juan Orlando Hernández (Honduras), Modi (Índia), Abbasi (Paquistão) e muitos outros. São governos identificados pelos trabalhadores como seus inimigos por todos os ataques duríssimos já feitos.

Mas os trabalhadores não podem deixar-se enganar com os Governos burgueses “de esquerda” que aplicam os mesmos planos neoliberais do imperialismo. Foram assim os Governos do PT (Brasil), como são assim os Governos de Maduro (Venezuela), Evo Morales (Bolívia), Cerém (Farabundo Martin, El Salvador), Ramaphoosa (CNA, África do Sul), Costa (PS, Portugal). Eles usam o peso que continuam a ter entre os trabalhadores para impedir as lutas e aplicar os planos neoliberais.

O Governo Ortega, na Nicarágua, tentou impor uma reforma da Segurança Social semelhante à dos outros Governos burgueses e com a mesma repressão brutal, matando 25 pessoas.

O governo de Maduro, na Venezuela, apoiado por grande parte dos partidos reformistas em todo o mundo, é um símbolo dessa “esquerda” decadente. Trata-se de uma ditadura burguesa corrupta, que só enfrenta verbalmente o imperialismo, mas mantém as multinacionais na exploração conjunta do petróleo. Na Venezuela, existe uma brutal crise económica, depois de quase 20 anos com o chavismo no poder. Uma nova burguesia surgida do chavismo – a boliburguesia – desfruta de uma vida luxuosa, enquanto os trabalhadores ganham um salário mínimo que equivale a um dólar por mês.

Os trabalhadores não podem enganar deixar-se enganar com a falsa polarização “esquerda x direita”. A polarização real é entre o ataque do imperialismo apoiado nos Governos de todo o mundo, e a reação dos trabalhadores. Queremos unir os trabalhadores nas suas lutas contra os governos burgueses, e não compor blocos com setores burgueses que impõem os mesmos planos económicos.

A polarização da luta de classes também está a levar ao desenvolvimento de grupos fascistas, como em Charlottesville e Berkeley nos EUA, no ataque aos dalits na Índia, e em várias partes da Europa. Os fascistas são diferentes da ultradireita, porque defendem a utilização de métodos de guerra civil, de repressão contra os trabalhadores, a proibição dos sindicatos e de partidos operários. O fascismo exige uma reação à altura, com enfrentamento direto nas ruas contra os fascistas para evitar que cresçam, como foi feito em Charlottesville e Berkeley.

Por isso, não se pode aceitar a velha manobra do estalinismo (hoje aceite por grande parte da “esquerda” do mundo) de apelar a uma “frente antifascista” contra os Governos da direita para justificar uma frente eleitoral com os mesmos partidos reformistas que estiveram ou estão nos Governos burgueses “de esquerda”, com os mesmos vícios de autoritarismo e corrupção.

Neste 1º de maio de 2018, queremos chamar a uma ampla unidade de ação, mas na luta direta dos trabalhadores contra todos os ataques dos Governos burgueses, sejam de direita ou de “esquerda”. E ao mesmo tempo, para que a luta dos trabalhadores avance, queremos também desmascarar os defensores da unidade política com setores da burguesia. Queremos desmascarar os partidos reformistas e as burocracias sindicais, que só servem para dividir os que querem realmente lutar.

É preciso construir novas direções

As burocracias sindicais corruptas e aliadas dos patrões cumprem o mesmo papel. Travam as mobilizações dos trabalhadores, sendo na verdade aliadas da burguesia. Para se lutar contra a burguesia e os seus Governos, é necessário também mobilizar a base para se rebelar contra essas burocracias, como já está a ocorrer em muitos lugares do mundo.

Por isso, as lutas estão a gerar novas direções para os sindicatos e novos organismos de luta, como a CSP Conlutas (Brasil), que agrupa cerca de 200 sindicatos. No Paraguai, existe a Frente Sindical e Social, que agrupa sindicatos combativos como Eletricitários e o movimento popular. Na Argentina, começaram a desenvolver-se nas regiões as Coordenadoras de luta contra as reformas. Na Costa Rica, surgiu o Sitrasep, que é o único sindicato dos trabalhadores do setor privado, com uma postura combativa e classista. Em El Salvador, surgiu a Coordenadora, que agrupa 12 sindicatos num polo de lutas. No Austerity, na Itália, é hoje uma referência das lutas existentes, como a grande greve dos professores pela base. No Estado espanhol, Cobas-Madrid une o sindicalismo contra as burocracias da UGT e CCOO. Existem processos semelhantes a nascer em França (Frente Social), nos EUA (WSAN) e noutros lugares. A Rede Internacional de Solidariedade e Luta é um polo para agrupar o sindicalismo alternativo de todo o mundo.

Os partidos reformistas só apresentam aos trabalhadores as mesmas fórmulas já usadas de buscar pequenas reformas (cada vez menores), manter o capitalismo e encaminhar tudo para eleições burguesas. Isso já foi testado, e os resultados são os mesmos. Os partidos da socialdemocracia na Europa ajudaram a aplicar, a partir do Governo ou na oposição, os planos neoliberais no continente. Agora é a vez do novo reformismo do Syriza fazer o mesmo na Grécia.  O Governo do PS, PCP e Bloco de Esquerda em Portugal está a ser apoiado por todos os partidos reformistas do mundo. É apresentado como uma “novidade”, mesmo mantendo todos os pontos essenciais dos planos neoliberais dos Governos anteriores, sob o pretexto de não fazer novos ataques. Os governos do PT no Brasil garantiram lucros recordes aos bancos e multinacionais e foram aplaudidos pelo imperialismo, até que o PT perdeu a sua base entre os trabalhadores. Assim foram os Governos do kirchnerismo (Argentina), Farabundo Marti (El Salvador), e CNA na África do Sul. O resultado é o mesmo: planos neoliberais, repressão e corrupção.

Chega de mais do mesmo! É necessário apontar para uma revolução socialista. Esse é o novo caminho que surge da crise económica, da polarização da luta de classes e da crise do reformismo. Alguns dirão que isso é uma utopia. Não é. Isso é ser realista. Utopia é pensar que é possível melhorar a vida dos trabalhadores dentro do capitalismo.

Para avançar para uma revolução socialista é necessário construir partidos revolucionários em cada país e uma internacional revolucionária em todo o mundo.

Viva o 1º de maio, dia internacional de luta dos trabalhadores!

Abaixo os planos económicos de austeridade!

Todo apoio a todas as lutas dos trabalhadores em todo o mundo!

Proletariado do mundo todo, uni-vos!

Em defesa da revolução socialista!