O 25 de Abril e a luta contra o colonialismo português

A sede emancipadora que varreu África no pós-II Guerra Mundial libertou um continente inteiro do Imperialismo racista. No caso português, o 25 de Abril foi consequência direta da derrota política, militar e ideológica do Estado Novo na Guerra Colonial. 

A Casa dos Estudantes do Império (CEI) reuniu filhos de funcionários coloniais e outros “assimilados” que, estudando na Metrópole e contactando com publicações clandestinas, despertaram para as contradições inerentes ao estatuto de colonizado (e assimilado), começando a organizar-se  de forma subversiva.

O MPLA em Angola, o PAIGC na Guiné-Bissau e Cabo Verde, a FRELIMO em Moçambique e o MLSTP em São Tomé e Príncipe formam uma aliança anticolonial, mas fortemente ligada ao aparato estalinista e, portanto, imbuída das suas limitações estratégicas, particularmente no pós-independência.

A revolução negra e anticolonial começa

O processo revolucionário avança decisivamente quando, em 1959, a população das áreas urbanas da Guiné adere à luta anticolonial, na sequência do massacre dos estivadores e marinheiros em greve por salários dignos no porto de Bissau às mãos das forças de repressão coloniais. Em 1960, os camponeses de Malanje (Angola) recusam-se a pagar os criminosos impostos coloniais e iniciam uma Revolta que duraria cerca de um ano. Em 61, a UPA (União dos Povos de Angola) inicia as hostilidades no Norte do país. Começa a Guerra Colonial.

A Guiné-Bissau tornou-se “o Vietname português”, onde o PAIGC derrotou de facto as tropas portuguesas, garantindo o controlo do território conquistado ao invasor e declarando unilateralmente a sua independência em 1973. As forças comandadas por Spínola jamais recuperariam de tamanho golpe à moral fascista. Amílcar Cabral foi uma das grandes figuras do séc. XX, estando à frente deste processo como principal dirigente do PAIGC. Foi assassinado por ex-militantes do PAIGC suportados pela PIDE, mas a sua luta continuou. 

A ditadura naufraga com o colonialismo

A Guerra Anticolonial coloca Portugal nos holofotes da comunidade internacional, numa altura em que os imperialismos europeus tinham sido forçados a descolonizar, embora mantendo relações de dominação e exploração neocoloniais com as ex-colónias.

A fuga da juventude para o estrangeiro, a desmoralização e o desacreditar do projeto fascista pelas avultadas baixas humanas que a Guerra representava foram os motores que alimentaram o crescente descontentamento com a ditadura em Portugal.

As brechas no exército colonial

Como corolário simbólico da influência negra no 25 de Abril de 1974, apontamos o facto de a vanguarda do Golpe ser a juventude que era forçada a matar e morrer.  Os capitães do MFA são produto da luta pela sobrevivência da juventude portuguesa, que só se cumpriria com a deposição do regime que mantinha a guerra todo o custo. Era necessário o cessar-fogo imediato e o regresso das tropas portuguesas a casa.

A retirada total das tropas e o fim da guerra não foram imediatos. Depois do dia 25 de Abril, a burguesia portuguesa em agonia procurou  preservar os seus interesses. Alguns dos momentos mais quentes do PREC estiveram ligados à luta pelas independências das colónias, que foram alcançadas pela heroica luta dos povos africanos, já com a solidariedade da revolução portuguesa.

Reivindicar a negritude do 25 de abril

O racismo faz com que, até hoje, se esconda a importância da revolução nas ex-colónias. O Em Luta reivindica o caráter negro do 25 de Abril, mas sabemos que a revolução portuguesa não acabou com o racismo, nem com as relações neocoloniais que a burguesia portuguesa – como intermediária da burguesia europeia – continua a manter com as ex-colónias.

Lutar por outro 25 de Abril é necessário para derrotar o capitalismo em Portugal, mas também para acabar com o racismo do Estado português, que continua a reproduzir o colonialismo e a sua história.

António Tonga