Raça & Classe

É urgente combater o racismo em Portugal! 

No último fim de semana ganhou peso um caso grave de racismo no qual foram vítimas dois filhos negros de um casal de atores brasileiros e uma família de angolanos. “Pretos de merda” ou “voltem para África”, foram alguns dos insultos ouvidos.

O vídeo em que a mãe das crianças, a atriz Giovanna Ewbank, reage à agressão, viralizou na Internet e levou à explosão de denúncias nas redes sociais de casos de racismo e xenofobia que negros e brasileiros sofreram em Portugal. Houve tanta repercussão que o presidente Marcelo Rebelo de Sousa foi obrigado a posicionar-se sobre o caso e assumir que há racismo em Portugal, mas que “não devemos generalizar”.

Este caso é importante para denunciar aquilo que muitos em Portugal andam a dizer há anos. Os ecos do colonialismo continuam a fazer-se sentir cotidianamente com ataques racistas e xenófobos, desde agressões verbais e até físicas. É expressão desse mesmo racismo o facto de este caso só ter tido tamanha projeção por as vítimas serem filhas de atores ricos, famosos e brancos. Como eles próprios assumiram, se fossem negros com certeza não teriam sido ouvidos da mesma forma e teriam o caso diminuído, como aconteceu com tantos outros casos de violência racista (muitos protagonizados pelo próprio Estado). Lembramos o caso de Cláudia Simões, que apesar de brutalmente e comprovadamente agredida pela Polícia em frente à sua filha de 8 anos por se ter esquecido do passe de transporte, ainda teve de ouvir que tinha provocado a situação e que se estaria a vitimizar.

Cabe também denunciar a hipocrisia do Presidente da República, que, mais uma vez, apesar de admitir a existência de racismo tem de o fazer quase pedindo desculpa com o habitual “não podemos generalizar”. A insistência do Estado português em impedir a recolha dos dados étnicos raciais é a maior prova de que se busca diminuir um problema que atravessa a sociedade portuguesa. Portugal, não fez ainda meio século, tinha tropas em África para impedir a independência das suas ex-colónias. Continua a fazer-se uma leitura da História que não vê de forma crítica o colonialismo e a construção cruel e criminosa do estado moderno português. 

Esse processo histórico e a sua glorificação deixam marcas profundas no país, que se demonstram não só nos casos de violência racista. A situação de precariedade e de maior exploração em que se encontram os negros e imigrantes no país também é outro reflexo. Os trabalhadores imigrantes já são 10% das contribuições para a Segurança Social (SS), as mesmas permitiram à SS arrecadar 5,2 mil milhões de euros em dez anos, sendo que estes trabalhadores imigrantes continuam a ocupar as profissões menos qualificadas, mais mal pagas e muitas vezes mais penosas.

Contudo, também entre as organizações dos trabalhadores vemos exemplos dessa história mal resolvida. Aquando os processos de luta nos EUA e depois de uma manifestação que juntou em Lisboa milhares de manifestantes contra o racismo, em meados de 2020, Jerónimo de Sousa, Secretário-Geral do PCP, em resposta à pergunta de um jornalista “Portugal não é um país racista?”, foi autor das seguintes declarações: “Por mim falo, pelo meu partido, pelo próprio contacto com as pessoas, como digo nem sempre isentas de preconceito… Mas será isso um problema aqui no nosso país?”.

A violência a que os negros e imigrantes estão sujeitos constantemente em Portugal serve para que os ricos e a grande burguesia portuguesa lucrem ainda mais com a opressão deste sector cada vez mais expressivo. Por outro lado, os trabalhadores portugueses brancos que reproduzem o racismo e a xenofobia acabam por contribuir para a divisão da classe trabalhadora e fortalecer a exploração e a opressão dos patrões.

A superação da opressão com que lidamos em Portugal quotidianamente passa por assumir que há racismo em Portugal e pelo combate constante aos casos de racismo e xenofobia, que deve ser assumido não só pelos oprimidos, mas pelo conjunto dos explorados. Se com a opressão se permite uma maior exploração da classe trabalhadora e, portanto, um maior enriquecimento dos patrões, ao mesmo tempo dividem-se os trabalhadores e enfraquece-se a unidade como única ferramenta de pôr pedrinhas nesta engrenagem que se chama capitalismo. É esta a máxima que tem de ser repetida à exaustão entre os nossos.

É urgente combater o racismo em Portugal! 

No último fim de semana ganhou peso um caso grave de racismo no qual foram vítimas dois filhos negros de um casal de atores brasileiros e uma família de angolanos. “Pretos de merda” ou “voltem para África”, foram alguns dos insultos ouvidos. 

O vídeo em que a mãe das crianças, a atriz Giovanna Ewbank, reage à agressão, viralizou na Internet e levou à explosão de denúncias nas redes sociais de casos de racismo e xenofobia que negros e brasileiros sofreram em Portugal. Houve tanta repercussão que o presidente Marcelo Rebelo de Sousa foi obrigado a posicionar-se sobre o caso e assumir que há racismo em Portugal, mas que “não devemos generalizar”.

Este caso é importante para denunciar aquilo que muitos em Portugal andam a dizer há anos. Os ecos do colonialismo continuam a fazer-se sentir cotidianamente com ataques racistas e xenófobos, desde agressões verbais e até físicas. É expressão desse mesmo racismo o facto de este caso só ter tido tamanha projeção por as vítimas serem filhas de atores ricos, famosos e brancos. Como eles próprios assumiram, se fossem negros com certeza não teriam sido ouvidos da mesma forma e teriam o caso diminuído, como aconteceu com tantos outros casos de violência racista (muitos protagonizados pelo próprio Estado). Lembramos o caso de Cláudia Simões, que apesar de brutalmente e comprovadamente agredida pela Polícia em frente à sua filha de 8 anos por se ter esquecido do passe de transporte, ainda teve de ouvir que tinha provocado a situação e que se estaria a vitimizar.

Cabe também denunciar a hipocrisia do Presidente da República, que, mais uma vez, apesar de admitir a existência de racismo tem de o fazer quase pedindo desculpa com o habitual “não podemos generalizar”. A insistência do Estado português em impedir a recolha dos dados étnicos raciais é a maior prova de que se busca diminuir um problema que atravessa a sociedade portuguesa. Portugal, não fez ainda meio século, tinha tropas em África para impedir a independência das suas ex-colónias. Continua a fazer-se uma leitura da História que não vê de forma crítica o colonialismo e a construção cruel e criminosa do estado moderno português. 

Esse processo histórico e a sua glorificação deixam marcas profundas no país, que se demonstram não só nos casos de violência racista. A situação de precariedade e de maior exploração em que se encontram os negros e imigrantes no país também é outro reflexo. Os trabalhadores imigrantes já são 10% das contribuições para a Segurança Social (SS), as mesmas permitiram à SS arrecadar 5,2 mil milhões de euros em dez anos, sendo que estes trabalhadores imigrantes continuam a ocupar as profissões menos qualificadas, mais mal pagas e muitas vezes mais penosas.

Contudo, também entre as organizações dos trabalhadores vemos exemplos dessa história mal resolvida. Aquando os processos de luta nos EUA e depois de uma manifestação que juntou em Lisboa milhares de manifestantes contra o racismo, em meados de 2020, Jerónimo de Sousa, Secretário-Geral do PCP, em resposta à pergunta de um jornalista “Portugal não é um país racista?”, foi autor das seguintes declarações: “Por mim falo, pelo meu partido, pelo próprio contacto com as pessoas, como digo nem sempre isentas de preconceito… Mas será isso um problema aqui no nosso país?”.

A violência a que os negros e imigrantes estão sujeitos constantemente em Portugal serve para que os ricos e a grande burguesia portuguesa lucrem ainda mais com a opressão deste sector cada vez mais expressivo. Por outro lado, os trabalhadores portugueses brancos que reproduzem o racismo e a xenofobia acabam por contribuir para a divisão da classe trabalhadora e fortalecer a exploração e a opressão dos patrões.

A superação da opressão com que lidamos em Portugal quotidianamente passa por assumir que há racismo em Portugal e pelo combate constante aos casos de racismo e xenofobia, que deve ser assumido não só pelos oprimidos, mas pelo conjunto dos explorados. Se com a opressão se permite uma maior exploração da classe trabalhadora e, portanto, um maior enriquecimento dos patrões, ao mesmo tempo dividem-se os trabalhadores e enfraquece-se a unidade como única ferramenta de pôr pedrinhas nesta engrenagem que se chama capitalismo. É esta a máxima que tem de ser repetida à exaustão entre os nossos.