Fora o Governo da corrupção, dos cortes sociais e da guerra contra a Catalunha!

O Governo de Rajoy, com o apoio do Rei, do PSOE e do partido Ciudadanos, deu um passo em frente ao aprovar a ativação do Artigo 155 ou, por outras palavras, a intervenção na Catalunha. É a primeira vez em 40 anos que assistimos a uma intervenção numa “Comunidade Autónoma”.

O pior nacionalismo é o nacionalismo espanhol

Falam do perigo “nacionalista” aqueles que, sob o lema “orgulho em ser espanhol”, fazem desfiles e enchem as ruas com bandeiras espanholas, comemorando o genocídio dos povos indígenas e o saque de um continente inteiro. E ainda chamam nacionalistas aos outros!

O rei Filipe VI, Rajoy e os partidos da sua corte são os representantes do nacionalismo mais beligerante, intransigente e cobarde, aquele que chama “nacionalistas” aos outros para esconder que o seu, o nacionalismo espanhol, é o maior de todos.

Aqueles que se fartaram de roubar o país – os do partido de Bárcenas e de Gürtel [1] ou os de Eres na Andaluzia [2] – vêm agora falar de respeito à legalidade e de impor a ordem.

Onde está o respeito à Lei quando, reforma laboral atrás de reforma laboral, condenam milhões de trabalhadore/as ao desemprego e a salários de miséria? Onde está o direito ao trabalho e a um salário digno para 13 milhões de pessoas que vivem abaixo do limiar da pobreza? Onde está o respeito à Lei quando assaltaram os cofres das pensões, que agora estão em risco para mais de 9 milhões de reformados? Onde é que estes amantes da Lei e da Ordem deixaram o direito à habitação para milhões de pessoas? Onde esteve esse direito para os milhares de famílias que foram desalojadas desde o início da crise, 189 despejos diários só em 2017?

Vem dar lições de democracia um Rei que nunca foi eleito por ninguém, que apenas sucedeu ao pai que, por sua vez, foi nomeado por Franco.

Porque é que os patriotas não saíram à rua com as bandeiras espanholas enquanto se desmantelava a indústria e o campo para deixar o país nas mãos da Europa dos mercadores, entregue à banca e à indústria alemã, americana ou francesa? Onde estavam e estão esses patriotas quando roubaram e continuam a roubar “todos os espanhóis” para pagar a dívida dos banqueiros?

Os que falavam da recuperação económica (essa que não chega aos de baixo) têm agora a desfaçatez de alertar para “os perigos económicos” que a saída da Catalunha implicaria e dos mais de 13 mil milhões de euros que “nos poderia custar a aventura independentista”. O Governo de Rajoy não conseguirá recuperar os 42 590 milhões de euros que o Estado pagou por regates bancários. Vão aplicar o Artigo 155 a Moncloa e destituir Rajoy?

O ataque à Catalunha é um ataque a toda a classe trabalhadora

Com o Artigo 155, vestido de vermelho e amarelo patriótico, querem esconder não só o pior dos nacionalismos, mas também a miséria e roubos que causou aos trabalhadores e aos povos.

Defender o pão, o trabalho, o teto e a igualdade; defender os direitos democráticos mais elementares exige hoje a unidade de toda a classe trabalhadora pela defesa da liberdade imediata dos Jordis [3] e do direito da Catalunha a decidir e para mandar abaixo este Governo da corrupção, dos cortes e de nostalgia de Franco.

Há que sair à rua e apoiar todas as iniciativas unitárias em defesa do pão, do teto, do trabalho, da igualdade e do direito da Catalunha a decidir o seu futuro.

Por Corriente Roja

Texto originalmente publicado aqui.

Notas:

[1] Luis Bárcenas é um ex-tesoureiro do Partido Popular (PP), o partido do primeiro-ministro Rajoy, que servia de intermediário de uma rede de corrupção – a rede Gürtel – que envolvia o seu partido e várias empresas que pagavam subornos para receberem contratos do Governo.

[2] Caso de corrupção que envolve o PSOE, que governa a Andaluzia desde 1980. A autarquia subsidiava empresas com supostas dificuldades financeiras através de fraudes em aposentadorias e demissões em massa.

[3] Refere-se a dois líderes independentistas na Catalunha, Jordi Sanchez e Jordi Cuixart, detidos preventivamente sob a acusação de sedição – incentivo à revolta.