Juntos contra a banalização do trabalho ao fim-de-semana

O boletim do terceiro trimestre do grupo Volkswagen aponta o T-Roc, o novo modelo da Volkswagen Autoeuropa, como um dos fatores da dinâmica positiva do grupo. Contudo, na fábrica dos T-Roc’s, a guerra contra o modelo de horário que a Administração pretende tem agora nova greve à vista.

Umas semanas depois de os trabalhadores rejeitarem o segundo pré-acordo, a Administração da fábrica informou que iria impor um horário que inclui trabalho obrigatório ao sábado. A Administração pretende impor este horário como forma de aumentar a exploração da fábrica, amealhando para os cofres da Volkswagen e estabelecendo um ritmo de produção que prejudica a saúde e a vida familiar dos trabalhadores. Os operários da fábrica de Palmela já começaram a receber as cartas para tomada de conhecimento. Perante tudo isto a Comissão de Trabalhadores (CT) e os sindicatos pouco ou nada fizeram.

Trabalhadores ultrapassam CT e Sindicatos

Perante esta passividade, um grupo de trabalhadores obrigou a CT a convocar um plenário. O grupo auto-denominado Juntos conseguiu levar uma proposta para esses mesmos plenários, nos quais esta foi aprovada. A proposta inclui, entre outros pontos, a convocação de uma greve de dois dias (2 e 3 de fevereiro) contra a imposição dos horários, por um aumento salarial digno que acompanhe a dinâmica de crescimento da empresa (6,5% em 2017 e em 2018, com um mínimo de 50 euros por cada ano), pelo comprometimento da empresa na criação de condições que permitam a produção de segunda a sexta-feira e apontam como linha vermelha na discussão sobre os novos horários um turno de fim-de-semana pelo prazo máximo de 1 ano.

CGTP e UGT de mãos dadas contra a greve

Depois dos plenários, a Administração foi a primeira a reagir, mantendo o tom de imposição e ignorando a voz dos plenários. Depois foi a vez dos sindicatos Sindel (UGT) e Site-Sul (CGTP), que, tal como a Administração, desrespeitaram a decisão dos trabalhadores, afastando a hipótese de uma nova greve. Apesar de andarem de costas voltadas com os teatros do “assalto ao castelo”, UGT (PS) e CGTP (PCP) afinal sabem dar a mão para defenderem a estabilidade de uma empresa que, perante um aumento de lucros, quer impor um ataque aos trabalhadores.

O movimento Juntos

O aparecimento do Juntos demonstra a determinação de um movimento que teima em não se vergar. O tipo de sindicalismo existente na maioria das empresas em Portugal cada vez menos representa os interesses de quem trabalha. São grupos como o Juntos que vão apontando a necessidade de reconstruir uma ferramenta de luta para os trabalhadores, que os envolva, que ouça as suas reivindicações, que perceba que os interesses do patrão são contrários aos de quem trabalha e que, portanto, os trabalhadores têm de se valer da sua força para arrancarem conquistas.

E a Geringonça?

O Governo do PS, apoiado por PCP e BE, apareceu pela primeira vez neste conflito após o segundo referendo, mas para aprofundar a política do medo e da ameaça e para colocar a ideia das creches como a solução para o problema. Este Governo parece só ouvir a empresa em todo este conflito.

Lutar pelo direito ao descanso de todos os trabalhadores

É tempo de se impor a discussão sobre o direito ao descanso e a um trabalho que permita esse mesmo descanso, que proíba o abuso das laborações contínuas, que compense dignamente quem prejudica grave e irreversivelmente a sua saúde no trabalho por turnos e no trabalho noturno. A luta dos trabalhadores da Autoeuropa é uma luta contra a exploração desenfreada e pelo direito ao descanso de todos os trabalhadores. Neste caminho contam, como sempre, com o apoio activo do Em Luta.

Arnaldo Cruz