2018: organizemo-nos para lutar

No mundo, Trump legitimiza a colonização israelita, mostrando o seu desrespeito pelos palestinianos. Ao mesmo tempo, vem a público que na Líbia se fazem leilões de escravos: o escândalo das organizações internacionais esconde a sua hipocrisia para com o fecho de fronteiras na Europa e a conivência com a exploração imperialista que está na origem das condições de vida miseráveis na região.

Aqui mais por perto, a eleição de Mário Centeno para a presidência do Eurogrupo está aí para provar como o Governo de Costa é o bom aluno da UE e do BCE, mas também como está intimamente comprometido com os planos de precarização das relações laborais e com um modelo de baixos salários preconizado para Portugal pelas instituições europeias e internacionais (segundo a OCDE as reformas da Troika/Passos ainda não são suficientes).

Depois de dois anos de Governo Costa, os lucros dos patrões e banqueiros crescem aceleradamente. Em muitos casos, como a Raríssimas ou as PPPs que crescem por aí, é Estado a financiar diretamente nos privados o que deveria ser serviço público e de qualidade. Já a tão aclamada reposição de rendimentos não se faz sentir para a maioria dos trabalhadores.

O caso da Autoeuropa é expressivo: o Estado financia em milhões a Volkwagen; a empresa não investe o dinheiro recebido para preparar a fábrica para a produção do novo modelo, mas quer esmifrar os seus trabalhadores até à exaustão, altura em que serão substituídos por outros.

Neste início de ano, são estes mesmo trabalhadores que apontam como devemos entrar em 2018: disseram basta aos lucros à custa dos seus sacríficos e, contra tudo e todos,  começaram a organizar, democraticamente e pela base, a luta pelos seus direitos.

Em 2018, digamos basta a pagar os lucros de patrões e banqueiros como o nossos sacríficos. Digamos basta a contentarmo-nos com o mínimo e exijamos o que é nosso. Entremos no novo ano tomando os exemplos de resistência nas fábricas, nas empresas, nas escolas, organizando todos os explorados e oprimidos contra a exploração e todo o tipo de opressão e escravatura!