3º Encontro Internacional da RSISL reforça necessidade de unidade e enfrentamento internacionalistas

O 3º Encontro Internacional da RSISL (Rede Sindical Internacional de Solidariedade e Lutas), que decorreu em Madrid, teve início na quinta-feira (25/01/2018) com a mesa de abertura e balanço do trabalho realizado pela Rede desde a sua criação. A atividade de quatro dias (25 a 28/01/2018) incluiu momentos de discussão das lutas dos diferentes sectores profissionais presentes e um dia para abordar as questões das lutas das mulheres.

Na mesa de apresentação, estavam presentes Nara Cladera pela União Sindical Solidaires (França), Àngel Bosqued pela CGT (Espanha) e Herbert Claros, representando a CSP-Conlutas (Brasil).

Àngel expôs a dinâmica do Encontro e apresentou o modo como a Rede tem procurado funcionar desde a sua fundação, em 2013, destacando a importância da pluralidade da organização. “Priorizamos a autogestão, pois acreditamos que nem os Governos, nem os Estados nem as religiões devem interferir nas nossas decisões. É dentro da própria Rede que decidimos. Para este Encontro, recebemos por email muitas moções e pedido de apoio a diversas lutas. Isso é muito bom, pois significa que, quando chamamos, alguém responde”, relatou.

Nara Cladera expôs os desafios e também a importância de organizar a luta sindical internacional respeitando a diversidade e as divergências, e valorizando os pontos em comum para as mobilizações contra o capitalismo. “Somos organizações sindicais que nos reconhecemos no sindicalismo de luta e de transformação social. Somos bem conscientes de que as nossas organizações têm histórias diferentes, são de países e de culturas diferentes. Ainda assim, mesmo com as diferenças, temos em consideração que precisamos procurar o consenso e trabalharmos juntas e juntos no que tivermos acordo”.

Herbert Claros reforçou o relato de como a Rede tem sido construída ao longo dos anos, e destacou a importância do internacionalismo na luta da classe trabalhadora. “Por mais que tenhamos diferenças, sabemos que nossa luta em comum é contra os governos, pois eles estão a serviço dos patrões e do capitalismo. Por mais que possa parecer que tenhamos lutas isoladas, seja a de um trabalhador de um aeroporto ou de um restaurante, de um professor ou de militantes de um movimento popular, toda a luta da classe trabalhadora é uma luta contra o sistema. Como os ataques do capitalismo atingem em nível internacional, é uma necessidade que nos organizemos defendendo o internacionalismo em nossas ações”, interveio.

Após as exposições dos representantes da coordenação do Encontro, as delegações participantes da atividade tiveram a oportunidade de se apresentarem e de compartilharem relatos sobre os processos de lutas nos seus países.

Segundo dia

Na manhã de sexta-feira (26/01/2018), organizaram-se grupos temáticos para discutirem repressão, imigração, autogestão e colonialismo-racismo. Ainda nesse dia, o encontro debateu a conjuntura internacional e deu início ao grupos de discussão sectorial. A CSP-Conlutas contribuiu com trabalhadores dos Correios, Transportes, Educação, Função Pública e Saúde. Ao todo, a delegação brasileira contou com 36 pessoas, sendo 7 representações da Secretaria Executiva Nacional da Central e 29 de outras 14 organizações, num total de 11 mulheres e 25 homens. 

Terceiro dia

O sábado (27/01/2018) foi inteiramente dedicado aos temas de lutas das mulheres. As mesas discutiram temas como “Cuidados e Economia Feminista”, “Aborto”, “Machismo no Movimento Sindical”, “Por que a Luta contra o Machismo é uma Luta da Classe Trabalhadora?”, “Precariedade no Mundo do Trabalho: diferenças nos salários”, “Contratos e Jornadas de Trabalho”, “Violência de Género e Violência Machista”, e “Discriminações contra LGBTs”.

Marcela Azevedo, representando o Movimento Mulheres em Luta, conta que o dia possibilitou “muita troca de experiência para pensar a organização de lutas internacionalistas das mulheres”. Segundo ela, o debate, realizado de modo muito democrático, mostrou que mesmo com realidades e culturas diferentes, há inúmeras semelhanças nos ataques e no grau de desigualdade de género nos diversos países. “A realidade da crise económica na Europa, América Latina e África trazem um alto grau ofensivo para as trabalhadoras e trabalhadores. É preciso que apresentemos um alto grau de organização e unidade das mulheres com o conjunto dessa classe para resistirmos a tudo isso”, pontuou Marcela.

Mulher, exemplo de luta

O 8 de março de 2017 foi descrito como uma importante referência para seguirmos nos próximos dias de luta por igualdade social. “Foi ressaltado que o 8M de 2017, realizado com forte participação em mais de 50 países, com importantes protestos e greves, aponta o caminho para ações futuras e para o avanço da mobilização das mulheres nas paralisações, em eventos, bloqueios de estradas e qualquer outra manifestação de classe e de resistência”, relatou.

Encerramento

No domingo (28/01/2018), dia do plenário final, foram lidas as moções de solidariedade de diversos sectores e lutas dos países, além dos relatórios das discussões dos sectores participantes, como os ferroviários, os trabalhadores na área da educação, da indústria automóvel, da saúde, do telemarketing, do comércio e dos serviços, dos Correios e telecomunicação e outros. Por fim, foi apresentada uma proposta de declaração final, aberta a pedidos de alteração e adendas. As edições foram feitas e, com a sua aprovação, terminou o Encontro.

Texto adaptado a partir do original publicado aqui a 02/02/2018.

Confira aqui a Declaração Final do 3º Encontro da Rede Sindical Internacional de Solidariedade e Lutas