Unificar as lutas é necessário!

Este mês de março confronta toda a classe trabalhadora com desafios e lutas importantes!

Dia 8 de  março, haverá greves e manifestações pelos direitos das mulheres em todo o mundo; em Portugal, a data estará marcada pelos números altíssimos da violência sobre a mulher e pela resposta ao Juiz Neto de Moura, que acha que furar um tímpano não é violência, chamando-lhe machista, sim!

No dia 21 de março, organiza-se, pela primeira vez, uma concentração no dia internacional de luta contra o racismo (em homenagem ao massacre de  Sharpeville-África do Sul 1960), contra a violência policial e o racismo de Estado, que tanto marcou a brutalidade do caso Jamaica. Tanto num caso como no outro, está claro que a Justiça está atravessada pelo machismo e pelo racismo, mostrando-se incapaz de proteger de forma igual todos os que a ela recorrem.

Mas este é também um mês de luta de vários setores da classe trabalhadora contra a precariedade, a falta de carreiras, dignidade no trabalho e baixos salários. Além da luta dos enfermeiros, continua a luta de vários setores da Função Pública, como os bombeiros, os professores e os funcionários, e dos trabalhadores dos call centers em várias empresas.

As lutas que se travam mostram que estamos longe do país das maravilhas de que os nossos governantes falam. A austeridade atravessa salários, precariedade, destruição dos serviços públicos, falta de funcionários, horários exaustivos, etc. Além disso, o Governo PS ataca em força o direito à greve com a requisição civil dos enfermeiros, depois da polícia nos estivadores. Com a Geringonça, a austeridade e os ataques estão, portanto, longe de acabar. BE e PCP apoiam Costa como “mal menor”, sendo coniventes com a austeridade, e não parte da mudança que se exige. Estamos fartos do ilusionismo de Costa/Centeno, que dizem não ter dinheiro para os trabalhadores, mas enchem os bolsos do Novo Banco.

É preciso unificar todas as lutas – contra a precariedade, o machismo, o racismo e a austeridade – num grande dia de mobilização nacional que junte todas as reivindicações, numa luta de todos os trabalhadores e trabalhadoras contra o Governo, os banqueiros e patrões, que continuam a pagar as contas da crise com o nosso suor e sangue!

Finalmente, nas nossas lutas, olhemos para França: para a força e massividade da luta dos Coletes Amarelos. E olhemos também para os debates que se travam no Reino Unido – que neste dia 29 tem na ordem do dia a saída da UE. Pois, quando a União Europeia impõe o pagamento da dívida dos banqueiros, o défice, as privatizações e a destruição dos serviços públicos como regra, uma alternativa dos trabalhadores só pode passar pela saída da UE da austeridade. Entre chantagens e divisões, é isso que está em debate.