Manifestações de homenagem a Luís Giovani: Um grito de revolta contra o racismo de Estado

Um grito de justiça por Luís Giovani invadiu as ruas de Lisboa e de outros pontos do país. A homenagem que era para ser silenciosa transformou-se numa sonora e vigorosa denúncia do racismo praticado pelas instituições do Estado e que se espalha pela sociedade portuguesa.

Esse grito de revolta ultrapassou fronteiras e soou na cidade da Praia, exigindo da Justiça o completo esclarecimento das circunstâncias que levaram à morte de Luís Giovani e a condenação dos seus responsáveis. Mais de 20 dias depois da agressão que provocou a morte de Luís Giovani, as autoridades policiais ainda não esclareceram o como, o quem e o porquê deste crime bárbaro. Foi esta demora na justiça que trouxe para a rua milhares de manifestantes em Lisboa e em outras cidades do país. Entretanto, estamos ainda à espera que Beatriz Dias, pelo BE, e Joacine Moreira, pelo LIVRE, questionem o Governo por causa da atuação da Polícia.

Foi a certeza de mais um ato de racismo quotidiano que despertou a revolta dos manifestantes. Porque é de racismo que se trata quando a Polícia demora a investigar um homicídio que vitimou um jovem negro e, em contraponto, persegue, brutaliza e, por vezes, mata jovens pelo simples facto de serem negros. Aliás, as autoridades policiais têm as mãos manchadas do sangue de jovens negros mortos nas periferias das cidades. Perseguir aqueles que lutam contra as injustiças, como aconteceu há um ano na avenida da Liberdade, na consequência das agressões policiais no Bairro da Jamaica, e deixar à solta banqueiros corruptos: esta é a vocação das polícias e da justiça no sistema capitalista.

Dividir os trabalhadores semeando o ódio racial entre brancos, negros e migrantes para melhor os explorar e aumentar dividendos é o objetivo da burguesia. Mas as manifestações deste sábado mostraram o caminho. Só as mobilizações nas ruas podem trazer o fim do racismo e a destruição do capitalismo.

José Pereira