Nacional Uncategorized

É preciso estar ao lado de quem foi mais afetado pela crise: os trabalhadores e o povo pobre

Como dissemos, estas eleições serão marcadas pelos efeitos da pandemia e da crise social. Para os de baixo, estes efeitos são sentidos desde abril, com a perda de rendimentos, o desemprego e a falta de acesso à saúde.

No terceiro trimestre de 2020, a taxa de desemprego em Portugal alcançou 7,8%, chegando aos 26,4% entre os jovens. É uma taxa 24,9% maior do que no mesmo período de 2019. A tendência é que este número suba, com a generalização das não renovações de contratos e dos despedimentos coletivos que estão em cima da mesa.

A pandemia já afetou o rendimento de 45% dos portugueses e deixou um terço em risco de insegurança alimentar. Nem com a crise económica a especulação imobiliária cede em Portugal, e o preço das casas continua a subir, principalmente, na Área Metropolitana de Lisboa.

E no que toca à saúde, ainda que não tenha havido um colapso do SNS perante a pandemia, é sabido que milhões de consultas não-Covid ficaram por fazer, o que terá consequências no diagnóstico e acompanhamento de doenças graves.

Nas presidenciais, faz falta uma candidatura que proíba os despedimentos e se oponha à nova austeridade

Não acreditamos que a situação da classe trabalhadora se resolva nestas ou noutras eleições, mas sim através da sua mobilização e luta. No entanto, no próximo mês e meio, o debate sobre o rumo do país passará também por discutir que alternativa e que projeto de Presidente serve (ou não) aos trabalhadores.

Das candidaturas à Presidência da República, infelizmente, nenhuma apresenta um projeto real de reversão da grave situação em que se encontra a classe trabalhadora e o povo pobre. Em maior ou menor medida, são todos parte da manutenção do sistema ou do agravamento do mesmo.

Uma candidatura que se colocasse ao lado dos trabalhadores e do povo pobre e contra o sistema teria, necessariamente, que inverter a lógica atual e fazer com que sejam os ricos a pagarem pelos custos da pandemia e da crise social.

É preciso uma candidatura que defenda um programa pela proibição imediata dos despedimentos e pelo fim da precariedade; que se coloque contra os cortes de rendimentos que continuam e deixam milhares na fome e no incumprimento do pagamento de contas e bens essenciais. É preciso estar contra o Estado de Emergência, enquanto política de repressão dos direitos democráticos, e opor-lhe uma política de fortalecimento qualitativo do SNS como garantia do combate à pandemia. Apresentar um programa contra o racismo e a xenofobia, cujas vítimas – negros, estrangeiros e ciganos – são apontadas como responsáveis pela crise social, dividindo a classe trabalhadora e evitando que se responsabilizem a verdadeira culpada desta crise: a burguesia. É preciso ter a ousadia de dizer que há alternativas e apresentar um programa com um projeto de país contra a União Europeia dos ricos, defendendo um projeto internacionalista dos trabalhadores e de solidariedade entre povos.

Por uma alternativa dos trabalhadores, votamos nulo

Sabemos que muitos trabalhadores estão à procura de alternativas eleitorais para reverter a situação de crise que vivemos hoje. As candidaturas de Marcelo e de Ana Gomes são a continuidade da situação atual, do aprofundamento da venda do país, do desemprego e do favorecimento dos ricos contra os trabalhadores.

Por outro lado, a oposição de direita ao Governo, que nestas eleições estão expressas na candidatura de André Ventura (Chega) e de Tiago Gonçalves (Iniciativa Liberal), representam o aumento da flexibilização das relações laborais e de destruição dos serviços públicos, que nada trazem aos trabalhadores e aos pequenos proprietários, a não ser mais miséria e dificuldades.

Já BE e PCP, que dizem representar os trabalhadores, discursam contra o Governo quando convém, mas na prática acabam por viabilizar as propostas de Costa no Parlamento ou colam-se ao Governo para terem mais votos. BE e PCP falham em apresentar uma alternativa aos trabalhadores num momento de grave crise económica e social.

Por isso, em nossa opinião, o voto nessas candidaturas, mesmo naquelas à esquerda do Governo, continuaria a não colocar na ordem do dia a necessidade da rutura com a política de “unidade nacional” que fortalece o regime e que tem servido para atacar ferozmente a nossa classe. Para demonstrar a nossa opção em construir uma verdadeira alternativa para os trabalhadores, defendemos o voto nulo nestas eleições.

Votar nulo contra a pandemia do desemprego e da quebra de rendimentos, contra a entrega de dinheiro aos bancos, contra a submissão à União Europeia; Votar nulo contra os despedimentos e a destruição da TAP; Votar nulo contra a transferência de dinheiro público para o Novo Banco; Votar nulo, colocando a necessidade da unidade para lutar, rompendo com a via exclusiva de negociação e ao serviço do convencimento da nossa classe para a mobilização urgente contra a perda de direitos, o desemprego e a precariedade; Votar nulo para defender uma saída que se apresente contra o regime atual, ao lado da classe trabalhadora e do povo pobre; Votar nula com a convicção de que a alternativa real se desenvolverá apenas com a organização da nossa classe nos locais de trabalho e nas periferias, construindo uma alternativa revolucionária para os trabalhadores.

Da redação

Lê também aqui:

Faz falta uma candidatura que defenda os trabalhadores contra os despedimentos e a nova austeridade