A NOSSA CLASSE Nacional

Organizar um encontro sindical unitário e contra as políticas do Governo

O Governo de António Costa surfa a onda das altas taxas de vacinação e de uma situação pandémica aparentemente controlada, mas será mesmo assim? Qual a realidade dos trabalhadores para além da propaganda institucional?

Lucros das farmacêuticas ameaçam controlo da pandemia

Apesar das elevadas taxas de vacinação do país, a realidade portuguesa continua a ser uma exceção num mundo refém do lucro das multinacionais farmacêuticas. Opositor à quebra de patentes, António Costa ameaça a situação de controle que se vive em Portugal, enquanto na maioria dos países a vacinação continua a ser muito insuficiente.

A Segurança Social dos trabalhadores a pagar os lucros das empresas

A outra face da moeda do discurso do PS é a recuperação económica. No segundo trimestre, fruto da diminuição das restrições pandémicas, houve um crescimento da economia, um crescimento do emprego e a redução em termos homólogos relativos não apenas a 2020 como a 2019 dos despedimentos coletivos. Claro que este discurso não aprofunda que parte destes resultados são mantidos artificialmente pelas injeções diretas de capital estatal nas empresas, que se tornaram regra, com impactos extremamente negativos na Segurança Social. Estas ferramentas disponibilizadas pelo Governo às empresas não só se têm tornado de mais fácil acesso para os grandes grupos, como neste momento permitem responder não a situações de crise empresarial, mas para assegurar os lucros.

Discurso de Costa contrasta com a realidade

Enquanto Costa dá uma imagem de estabilidade, vive-se um processo de aproveitamento da crise pandémica para reduzir direitos e aumentar a exploração sobre os trabalhadores. Continuam em curso despedimentos coletivos em grandes empresas, como os do setor da banca, que ameaçam cortar milhares de postos de trabalho, ou o da lucrativa PT/Altice que pretende despedir mais de 200 trabalhadores da refinaria de Matosinhos com um despedimento coletivo que pode ter impacto em 5000 famílias, ou o processo no setor da aviação – reestruturação da TAP e insolvência da Groundforce – que poderá também reduzir consideravelmente os postos de trabalho.

Ao mesmo tempo, mesmo em empresas que não atravessam despedimentos colectivos, há um processo de aumento da exploração em curso, que usa do pretexto da pandemia para cortar direitos, mas também para impedir a organização e luta dos trabalhadores contra estes processos.

Um encontro sindical unitário contra as políticas do Governo PS

Neste contexto, o sindicalismo tradicional organizado em torno das centrais sindicais tradicionais, CGTP e UGT, tem ficado aquém das necessidades de resposta dos trabalhadores. São já significativos os processos de despedimentos ou reestruturações em grandes empresas, ao passo que é também expressivo não apenas uma falta de resposta do Governo, como a criação de formas legais de acesso aos fundos da Segurança Social dos trabalhadores. É necessário construir uma rede entre o movimento sindical que, dentro ou fora das centrais, considera ser necessário uma resposta dos trabalhadores. Esta resposta só será possível se se enfrentar com os planos, não só dos patrões mas também do Governo de António Costa.  Esta ferramenta deve servir à criação de laços de solidariedade e luta entre os trabalhadores para resistir aos ataques em curso.