Violência policial na Amadora: o crime, os autores, os cúmplices e os beneficiários

Por estes dias, a imprensa fez eco de mais uma denúncia de violência policial tendo como protagonistas agentes da esquadra da PSP de Alfragide. Os factos remontam a 7 de fevereiro deste ano, quando um homem de 66 anos, morador no bairro 6 de maio, Amadora, foi violentamente agredido por polícias da fatídica esquadra no momento em que a Câmara procedia a ações de despejo e demolições naquele bairro e pretendia obrigar este morador a abandonar a sua casa. Na sequência da agressão, a vítima foi hospitalizada durante três dias.

Apesar de este episódio ter ocorrido no início do ano, a denúncia às autoridades judiciais só agora foi feita, depois de ter sido conhecida a acusação do Ministério Público aos 18 agentes da PSP de Alfragide. Tal circunstância é certamente o resultado de uma perceção de impunidade que tem pairado sobre a corporação policial, que tem inibido quem sofre atos de brutalidade policial de apresentar queixa contra os seus agressores. Essa sensação pode ter-se desvanecido aquando do conhecimento da acusação que recaiu sobre os 18 de Alfragide.

A população negra que mora nas zonas mais degradadas da periferia de Lisboa sabe que os insultos racistas e o exercício da força bruta de forma gratuita constituem padrão de comportamento das autoridades policiais. A população negra que é atirada para zona classificadas como “problemáticas” sabe que não pode contar com as instituições do Estado que têm por missão fiscalizar a atuação da polícia e julgar os crimes cometidos pelos seus agentes.

Os negros e negras que sentem na pele as precárias condições de habitação começam a concluir que não podem contar com o poder político para garantir casas em condições dignas. Aliás, o processo de demolições nos bairros 6 de maio e Santa Filomena, no concelho da Amadora, decretado pela Câmara liderada pelo PS, demonstra um poder político refém de interesses imobiliários e que não hesita em deixar famílias inteiras sem casa para satisfazer os apetites de especuladores e banqueiros. As instituições repressivas do Estado português, essas, há muito que fizeram a sua opção pela defesa dos interesses dos mais poderosos, lançando mão do mais declarado e violento racismo para oprimir negros e imigrantes, que se contam entre os mais excluídos da sociedade portuguesa.

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