Greve na Ryanair, uma greve legítima e JUSTA

Dia 4 de abril foi o último dia de greve de tripulantes da Ryanair em Portugal, cuja adesão de 90% resultou no cancelamento de muitos voos. Na televisão, alguns passageiros indignam-se com o transtorno causado. O objetivo desta greve não é contra as pessoas, que devido aos baixos salários de Portugal, naturalmente, procuram viagens baratas. Mas as viagens “baratas” da Ryanair são um presente envenenado: são feitas à custa da redução extrema de custos, com a manutenção dos aviões no mínimo, exigência de subsídios por parte das cidades para onde voam, isenções fiscais (quando comprarem um bilhete e solicitarem fatura esta está isenta de IVA, ou seja, a Ryanair não paga IVA), salários miseráveis e violação das leis laborais (consultar documentário sobre a Ryanair aqui).

Esta violação é precisamente o motivo da greve. A Ryanair proíbe licenças de maternidade/paternidade, não garante o ordenado mínimo e instaura processos disciplinares aos seus trabalhadores por baixas médicas ou vendas abaixo dos objetivos. Alegadamente a lei Irlandesa que gere os contratos dos trabalhadores da Ryanair  não concede estes direitos e, por isso, a empresa não aplica a lei portuguesa; uma lei que não concede licença de maternidade/paternidade e baixa médica é uma lei injusta e ilegal.

Durante a greve, a Ryanair ameaçou despedir os trabalhadores de outros países que se recusassem a substituir grevistas, como pode ouvir a partir do minuto 2:38 deste vídeo  ou ler aqui. Substituir grevistas é ilegal, quanto mais despedir trabalhadores por se recusarem a fazê-lo.

Um silêncio ensurdecedor

O Governo, que tinha obrigação de intervir para garantir a aplicação da lei portuguesa, envia a ACT (Autoridade para as Condições do Trabalho), mas esta não fez nada, permitindo assim à Ryanair continuar a ameaçar os seus funcionários.

UGT e CGTP não comentam a greve, não apoiam e não oferecem solidariedade, o que aumentaria a consciência de todos os explorados e a força da greve. Em vez de ajudarem, abandonam assim os trabalhadores que dizem representar. 

BE e PCP, que se afirmam defensores dos trabalhadores e seus direitos, estão sempre a apelar ao Governo PS para que governe à “esquerda”, o mesmo Governo que entrega biliões dos nossos impostos à banca falida, corta na saúde e restantes serviços públicos e não impede que estas situações na Ryanair, como tantas outras, se mantenham, permitindo que esteja “acima da lei”. Governa para os donos da Ryanair e para os grandes patrões e banqueiros, não para os trabalhadores. Continuar a apelar a este Governo e votar os seus Orçamentos de Estado é iludir as pessoas.

Uma luta internacional

Estas situações não acontecem só na Ryanair, acontecem em todas as empresas do mundo. Todos nós somos constantemente obrigados a trabalhar horas extra sem receber, a cumprir objetivos impossíveis, muitas mulheres são proibidas de ter filhos para não tirarem licença, etc… Esta luta é justa, é de todos e devemos todos solidarizarmo-nos com ela.

Apesar da força da greve, ficou claro que não basta fazer greve em Portugal. Apenas a união e greve de todos os trabalhadores europeus pode vencer uma empresa sedenta de lucros. Esta companhia aérea é europeia e enquanto tal tem que ser combatida a nível europeu, enquanto em certos países forem praticados salários baixos, estes servem de chantagem para os que recebem “mais”. A recusa de tripulantes de outros países em substituir grevistas demonstra que uma greve europeia é possível e necessária. Esse é o caminho que é preciso seguir para vencer.

Em Luta por trabalho digno e justo

Em Luta por uma Greve Europeia de todos os trabalhadores da Ryanair