Organizar a classe trabalhadora para os desafios que estão por vir

“Quem vai para o mar, avia-se em terra”, diz o ditado. Para que se devem preparar os trabalhadores neste recomeço pós-férias? 

Em primeiro lugar, para uma pandemia que não terminou. É preciso pensar o combate à pandemia como uma política de investimento público e não como uma questão de reprimir a sociabilidade, como fazem as medidas recentemente anunciadas pelo governo Costa. 

Em segundo lugar, os trabalhadores  têm que se preparar para defender o emprego e o salário. A crise que está aí vai ser profunda e longa, e não acabará com a pandemia. As políticas do governo Costa atacaram os rendimentos através dos layoffs e não impediram os despedimentos. Agora, Governo e patrões vão pedir-nos que apertemos o cinto mais uma vez, agora por causa do “vírus”, dizem. 

Mas a culpa não é do vírus, pois não é o vírus que causa o desemprego e a fome, que faz que milhares não tenham acesso à saúde, a condições dignas de habitação e de vida para se resguardarem do vírus. O problema é o capitalismo e os seus governos, num sistema que se organiza para garantir os lucros de uma minoria milionária à custa da destruição física, social, cultural e ambiental da maioria da Humanidade. 

Contra a pandemia, a crise e o capitalismo, a nossa vacina tem que ser a organização dos trabalhadores de forma democrática e independente dos patrões. Aos patrões e Governo só interessam os lucros, acima da saúde e da vida digna de quem trabalha. Por isso, apenas os trabalhadores e as suas organizações podem garantir uma gestão e controlo coletivo do funcionamento em segurança nos locais de trabalho e o regresso às aulas. Apenas os trabalhadores e as suas organizações podem gerir as empresas de forma a dividir o trabalho existente por todos, para trabalharmos menos horas (sem perda de salário), mas trabalharmos todos. Apenas os trabalhadores da saúde sabem os recursos necessários para garantir o combate à pandemia e manter a resposta nos restantes serviços de saúde. 

Mas é preciso ir além da maioria burocrática das atuais organizações sindicais e partidárias dos trabalhadores, que têm pouco de democrático e centram esforços em conciliar com os patrões, abandonando os trabalhadores precários e oprimidos à “inevitabilidade” do desemprego, em vez de permitir que sejam os trabalhadores a gerir os seus destinos coletivamente.

Por isso, para defender a saúde, salário e emprego é preciso lutar contra o sistema capitalista e todos aqueles que o sustentam. Aqueles que dizem que a culpa é dos imigrantes, dos negros, ciganos ou refugiados – como diz o Chega- são os que fazem jantares na Quinta do Lago – o lugar mais elitista do Algarve – e escondem os verdadeiros responsáveis da crise, como os donos do Novo Banco, enquanto atacam os setores mais pobres e precários. 

Por isso, é preciso unir a classe trabalhadora para se organizar e lutar, nos seus locais de trabalho, nas ruas do país, mas também por uma nova revolução. Mas isso implica combater o racismo, que divide os de baixo e fortalece os de cima. Só assim poderemos vencer, não apenas a batalha contra o Covid e a crise que agora começou, mas a guerra necessária contra o  capitalismo.