EDITORIAL

Que saída para uma eventual crise política?

A hipótese de o Governo não conseguir aprovar o OE 2022 coloca em debate as consequências de uma crise política. Se o Governo cai, quem beneficia? Nas últimas sondagens, realizadas antes das autárquicas, o PS teria um pequeno crescimento nas legislativas, o Chega poderia ser a terceira força política, disputando diretamente com o BE, e a CDU e o PSD cairiam. Se o cenário se mantém, nenhuma das forças políticas em posição de chumbar o orçamento beneficiariam com novas eleições em janeiro.

Então porque está em cima da mesa uma crise política?

O resultado das autárquicas foi um sinal: a população está descontente. Não se contenta com o PS que governa para os ricos, não vê na direita uma alternativa de confiança e desilude-se com BE e PCP, que sustentaram o PS nos últimos anos.

A pandemia foi o limite para uma situação insustentável: trabalhos precários e mal remunerados, acumulação de trabalho, rendas altas, etc. O SNS está em vias de um colapso. A Função Pública demonstra esgotamento. O aumento dos preços dos combustíveis coloca no limite camionistas, estafetas e vários outros trabalhadores. E o OE apresentado por Costa não responde devidamente a nenhum dos problemas mais sentidos pelos trabalhadores.

Não há assim medida que justifique que BE e PCP possam continuar a pagar o ônus por viabilizarem os Governos de Costa. Agora sobem o tom para negociarem melhores migalhas, porém, até onde poderá ir Costa? Não sabemos. Pode ser suficiente para que BE e/ou PCP viabilizem o orçamento, mas nunca será suficiente para aquilo de que a classe trabalhadora necessita. Por isso, chumbar este orçamento seria a postura coerente para quem defende os interesses da classe trabalhadora.

A alternativa política para a classe trabalhadora está na sua organização e mobilização. E essa tem de ser a nossa aposta para sair do impasse “Governo PS ou PSD?”.  

É urgente organizar a luta e resistência da classe trabalhadora por melhores trabalhos, mais direitos e por uma vida digna. É urgente construir uma alternativa de luta e combativa frente às direções sindicais maioritárias. Por isso é preciso participar do encontro sindical “Trabalhadores atacados não podem ficar isolados” e defender um sindicalismo combativo e independente do Governo.

É urgente também construir uma alternativa política que seja oposta ao PS, que combata a direita e a extrema-direita, que defenda um programa para a classe trabalhadora e aponte uma saída revolucionária. O Em Luta soma-se a esta batalha e faz 5 anos neste mês de novembro. Vamos, nas próximas semanas, apresentar um pouco mais quem somos, de onde viemos e para onde queremos ir. Queremos apresentar aos nossos amigos e simpatizantes a necessidade de uma alternativa revolucionária e fazer o convite para que se somem a este projeto.