Internacional

A Ucrânia resiste a Putin

Aquilo que Putin esperava que fosse pouco mais que um passeio, está se complicando muito para as tropas russas, que invadiram a Ucrânia em 24 de fevereiro passado. Longe de serem vistos e tratados como “libertadores”, como a propaganda de Moscou anunciava, os russos estão recebendo uma forte resistência por parte do exército e das milícias de civis ucranianos. Em meio ao sofrimento e destruição, as imagens mostram como os ucranianos organizam a defesa: recebem armas, treinam, cavam trincheiras, produzem coquetéis molotov…[1]

Putin, irritado, decidiu redobrar o ataque contra a Ucrânia. No sábado 26 ordenou uma ofensiva total “em todas as direções” sobre Kiev alegando que os ucranianos se negavam a negociar. A condição para essa negociação, por parte do Kremlin, era que as forças do país que estão invadindo “deponham as armas”. Isso não é uma oferta de negociação. É exigir uma rendição incondicional.

Na noite de sábado, Kiev se preparava para o assalto definitivo dos invasores. O presidente ucraniano, VolodímirZelenski, anunciou que o inimigo tentaria tomar a capital e seria uma “noite difícil”. Mas Kiev não caiu. Resiste até agora, contra qualquer prognóstico. A chave para entender este fato está na enorme disposição de combate do povo ucraniano, que surpreendeu Putin, o próprio Zelensky, e comove o mundo inteiro, com incontáveis exemplos de coragem, frente a um inimigo infinitamente superior. A Ucrânia enfrenta a Rússia.

Milícias de civis se organizam em Kiev e outras cidades, muitas delas com participação de mulheres.

Na tarde de 1/03, o Exército russo alertou a população de várias zonas de Kiev para que abandonassem suas casas ante um bombardeio iminente. Explodiram a torre de televisão, matando ao menos cinco pessoas[2]. Foram registradas explosões em vários pontos da capital.

Rússia bombardeia a torre de TV em Kiev

O governo ucraniano informou no domingo cerca de 352 mortes de civis e 1.684 feridos desde o início da invasão, incluindo 14 crianças. Há cerca de um milhão de desalojados internos. Mais de 660.000 pessoas foram forçadas a deixar o país, sobretudo em direção à Polônia, Hungria e Romênia, fugindo dos ataques russos[3], cada vez mais poderosos e sem discriminação entre objetivos militares ou zonas civis.

Mais de 600.000 pessoas fogem da Ucrânia em condições dramáticas

Em Kharkov, a segunda cidade mais importante do país, bombardearam bairros residenciais e um míssel atingiu o prédio da Administração Regional.

O exército russo avança rumo a Kiev. Imagens de satélite mostram que um comboio de mais de 60 kilômetros formado por veículos militares russos se dirige à cidade de 2,8 milhões de habitantes. O grosso das tropas terrestres russas estaria a menos de 30 kilômetros da capital[4].

Além do local e bombardeio de Kharkov e o cerco a Kiev, os russos atacam pelo sul, onde tomaram Berdiansk, no mar de Azov, e tentam tomar Mariupol, onde a resistência ucraniana é tenaz. Aparentemente, Putin planeja um cerco em pinça para envolver o Donbass, consolidando um corredor desde a península da Crimeia, que foi anexada à força em 2014, até as regiões de Donetsk e Lugansk.

A população prepara coquetéis molotov

A guerra de conquista da Rússia contra a Ucrânia despertou um enorme sentimento de solidariedade ao valente povo ucraniano, que colocou em marcha um amplo movimento antiguerra, contra as intenções de Moscou. No fim de semana ocorreram dezenas de manifestações massivas contra Putin e a favor da Ucrânia em diferentes cidades, dentro e fora da Europa. Milhares marcharam em Berlim, Madri, Roma, Milão, Amsterdam, Paris, Londres, Sidney, entre outras convocatórias. Em outras cidades, como São Paulo ou Santiago do Chile, também houve protestos. O repúdio a Putin se fez sentir, ademais, no leste europeu, como em Tiblissi, capital da Geórgia, ou em Varsóvia, a capital polonesa. Entretanto, o som mais retumbante são os protestos em Moscou, no próprio coração do país agressor, onde cresce o descontentamento com a ditadura russa, que prendeu mais de 5.000 manifestantes contra a guerra.

Mais de 100.000 pessoas em Berlim contra Putin

Vergonhosamente, uma parte da esquerda, sobretudo filoestalinista, se posiciona junto com Putin e reproduz as mentiras de sua propaganda, colaborando assim com o massacre do povo ucraniano.

É urgente organizar, em todos os países, uma campanha de solidariedade ao povo ucraniano, ampliar a condenação à invasão russa. Chamamos todos e todas as/os socialistas, democratas, defensores/as da livre autodeterminação dos povos, a somarem-se à luta pela derrota de Putin e à defesa da soberania da Ucrânia.

Pela derrota da invasão militar russa da Ucrânia!

Fora as garras dos Estados Unidos, da OTAN e da União Europeia da Ucrânia!

Por uma Ucrânia unificada e livre da opressão russa!

Dissolução da OTAN!

Dissolução da aliança militar CSTO (Organização do Tratado de Segurança Coletiva) do Estado russo com as ex -repúblicas soviéticas, usada para o envio de tropas para esmagar levantes populares e sustentar oligarcas submissos, como no Cazaquistão!

Notas:

[1] Veja alguns exemplos da mobilização de civis: <https://www.youtube.com/watch?v=N7U1FOSECh8>; <https://www.youtube.com/watch?v=3qMVq6PtXvE>.

[2] Ver: <https://www.youtube.com/watch?v=QwTUoABU9gk >.

[3] Ver: <https://www.perfil.com/noticias/internacional/son-660000-los-ucranianos-que-huyeron-de-su-pais-y-cerca-de-un-millon-de-desplazados-internos.phtml>.

[4] Ver: <https://www.youtube.com/watch?v=jsfZPUVWxQE >.