Um ano de Governo PS, apoiado pelo PCP e BE: impõe-se uma oposição dos trabalhadores e de luta

A eleição de um governo de esquerda gerou expectativa de mudança nos trabalhadores. Mas ao serviço de que interesses governa ? Um ano depois, é preciso saber em que ponto estamos e para onde queremos ir. 

Governo de Esquerda ou Governo dos Trabalhadores ?

Ao mesmo tempo que não põe fim à austeridade, o atual Governo continua a financiar os banqueiros com dinheiros públicos e a cumprir os ditames da UE.

Depois do Banif, a Caixa Geral de Depósitos (CGD) mostra bem quais continuam a ser as prioridades do Governo, que não hesitou em injetar milhões dos contribuintes para saldar dívidas de banqueiros. Para aumentar 10€ nas pensões há falta de dinheiro, mas para pagar um ordenado milionário ao novo presidente da CGD, não há problema.

A prioridade do Governo é responder às necessidades dos patrões e da UE. Enquanto toma medidas cosméticas para falar do “fim da austeridade”, mantém intocadas as grandes questões que é preciso resolver no país: criação de emprego, guerra à precariedade, aos baixos salários, à fuga das grandes empresas ao fisco e à venda do país por tuta e meia. Assim, este Governo escolheu um lado na luta de classes: o lado dos patrões e dos banqueiros. Por isso, não é um governo dos trabalhadores e da ampla maioria do povo português.

Devemos confiar neste Governo?

BE e PCP justificam o apoio a este Governo como forma de impedir o retorno da Direita ao poder. Fazem hoje de consciência de esquerda do Governo. Chamam os trabalhadores a ficar em casa tranquilos, a crer no Governo e na possibilidade de as suas propostas parlamentares e acordos com o PS mudarem as suas vidas. PC e BE dizem-se críticos do Governo, mas, de facto, garantem a sua existência e votam os seus orçamentos. Sustentando este governo são responsáveis pela continuidade da austeridade. Não podemos aceitar que se dê sistematicamente as regras da UE como desculpa para a continuidade do rigor orçamental (contra os trabalhadores) quando nem PS, nem BE, nem PC propõem sair da UE e Euro para acabar com a austeridade.

Desde 2007 – principalmente entre 2011 e 2012 – os trabalhadores em Portugal mostraram-se dispostos a enfrentar a austeridade. Se conseguimos que o Governo de Passos e a Troika não fossem mais longe, foi porque saímos a lutar, mas ficou a faltar ir mais longe. Já nessa altura, PCP e BE colocaram as eleições como saída e encaminharam tudo para que voltássemos a casa.

Tal como em 2012, BE e PCP, em vez de chamarem os trabalhadores a lutarem pelo que é seu de direito, iludem as possibilidades de alcançar direitos através de acordos parlamentares e de Governo; entregam a luta dos trabalhadores e, assim, a possibilidade de verdadeiras mudanças nas suas vidas.

Não podemos cometer os mesmos erros. A única saída é voltar à luta. Os trabalhadores devem confiar apenas na força das suas lutas para, de facto, derrotarem a austeridade e os interesses dos patrões e da UE, que continuam a governar o nosso país pelas mãos do Governo PS, com responsabilidade, apoio e proteção do BE e PCP.

Uma oposição de classe e de luta ao Governo PS, PCP e BE

Não podemos ficar à espera de um Governo que não representa os trabalhadores. Temos de sair a exigir a devolução do que nos foi roubado e já!

É preciso já um aumento geral dos salários, 600€ de salário mínimo e redução do horário de trabalho no público e privado para as 35h para contratar mais funcionários e gerar mais emprego. É preciso tornar públicas já, com uma gestão ao serviço dos trabalhadores e do povo, todas as empresas estratégicas privatizadas. É preciso acabar já com as empresas de trabalho temporário e com os falsos recibos verdes, efetivando todos os trabalhadores após 1 ano de trabalho. É preciso suspender o pagamento da dívida para haver dinheiro para Emprego, Educação e Saúde públicas e de qualidade, contratando os meios humanos e materiais necessários.

Em suma, é preciso exigir que se acabe com a austeridade e que se governe para quem vive do salário, já!

Construir uma alternativa à austeridade em Portugal hoje implica uma oposição dos trabalhadores a este Governo, não no Parlamento, mas nas lutas, nas ruas e nas empresas. Perante a crise económica, para conseguirmos o mínimo é preciso estarmos dispostos a arrancar o mal pela raiz. E isso só é possível sobre a força dos trabalhadores mobilizados. É essa alternativa que queremos construir.