Referendo na Catalunha: a Corrent Roig votará SIM!

Por uma República catalã social e soberana

Pela livre união com o resto dos povos do Estado

O direito ao referendo é um direito democrático básico do povo da Catalunha que não pode depender nem do rei nem de Rajoy.

A Corrent Roig chama à votação em massa no dia 1 de outubro. Independentemente da opção de voto, a primeira condição para o referendo ser uma grande vitória sobre o regime monárquico é haver uma votação massiva.

Chamamos ao voto no SIM porque não podia ter ficado mais claro que não há possibilidade de exercer o direito de decidir sem romper com o regime monárquico de 1978, umbilicalmente ligado à herança do franquismo.

Chamamos ao voto no SIM porque é a melhor opção para acabar com o regime, abrir uma grande porta para as reivindicações sociais da classe trabalhadora na Catalunha e no resto do Estado Espanhol e questionar o modelo político, económico e social ao serviço de uma oligarquia de banqueiros, multinacionais e grandes empresários.

Chamamos ao voto no SIM porque a classe trabalhadora não tem nenhum interesse em manter uma unidade forçada. Votar SIM é a melhor maneira de defender uma união livre de povos livres.

O nosso SIM não tem nada que ver com o do Governo de Puigdemont e Junqueras. O SIM deles é a favor de um estado catalão dentro da União Europeia e da NATO: um Estado submetido à Europa do capital, que receba as ordens diretamente de Angela Merkel e não através de Madrid. Querem um processo constituinte controlado a partir de cima e dirigido por “especialistas”, no qual o povo trabalhador seja um mero espectador e o domínio e as regras do capital se mantenham.

O nosso SIM é uma chamada a favor de um processo constituinte verdadeiramente democrático e popular, no qual a classe trabalhadora tenha a última palavra, e não os patrões, a cúpula dos partidos e os “especialistas” pagos por eles. 

O nosso SIM é uma chamada à união de forças com o resto dos povos do Estado espanhol para a construção de um futuro comum entre iguais e uma luta conjunta para nos vermos livres da Europa do capital (a União Europeia e o Euro) e construirmos uma Europa dos Trabalhadores e dos Povos.

O nosso SIM é uma chamada à luta pelo não pagamento de uma dívida que é ilegítima e pela aplicação dos recursos económicos num plano de emergência social que reverta os cortes, revogue as reformas laborais e das pensões (que a lei de transição mantém), distribua o trabalho, aumente substancialmente o salário mínimo, ponha fim à precariedade selvagem que sofremos, dê direitos aos imigrantes, crie uma rede de habitação social com as casas vazias que estão nas mãos dos brancos e de fundos de investimentos e que nacionalize as empresas estratégicas.

O povo da Catalunha tem direito a decidir o seu futuro político e a autodeterminar-se a todos os níveis sociais, políticos e económicos. Mas isso só será possível se o processo independentista que começou a ganhar força há cinco anos for acompanhado de uma mobilização permanente e da erupção da classe trabalhadora na vida política da Catalunha.

Por: Corrent Roig
texto original publicado aqui