No país da Geringonça: O mesmo projeto, nenhuma mudança

Quase a fazer três anos de Geringonça no poder e, com a chegada do Verão, vemos que se mantém o mesmo projeto para o país que nos Governos anteriores do PSD-CDS e do PS: um país de serviços e turismo – este último já representa 9% do PIB; dependente dos desmandos da União Europeia e das oscilações da economia mundial; um modelo de atração de capital através de baixos salários e crescente precariedade.

Para os trabalhadores, o crescimento do turismo significa mais trabalho sazonal, temporário, informal, com longos horários e de baixos salários. Relembremos que o “alojamento, restauração e similares” é o setor de atividade com o ganho médio mensal (incluindo horas extra, subsídios ou prémios)  mais baixo (759€ em 2016, PORDATA). O setor aeroportuário é uma expressão disso: lucros exorbitantes para os patrões, piores salários, horários e mais precariedade para os trabalhadores.

Não é por acaso que o Governo Costa, nas alterações laborais, aumenta o período experimental de 90 para 180 dias e mantém o banco de horas, fazendo um favor aos patrões, em particular em setores com grandes oscilações de atividade, que assim têm a vida mais facilitada para despedir no final do Verão ou obrigar a trabalhar mais concentradamente nas épocas do ano com mais serviço.

BE e PCP queixam-se do PS, mas, durante todo o mandato, limitaram-se a propor aos trabalhadores votar e negociar migalhas. Por isso, a crise na Geringonça é aparente e vai continuar: o projeto do PS é hoje o mesmo do início da Geringonça – governar para todos, o que significa governar para os patrões. Esse foi o projeto que BE e PCP apoiaram desde o início. A Geringonça está a mostrar apenas a sua cara: defende o turismo, enquanto deixa o país de joelhos e dependente. Paga os buracos dos bancos e a dívida à UE, enquanto deixa hospitais sem financiamento. Protege os patrões, enquanto os trabalhadores vivem cada vez pior! Não queremos as migalhas da Geringonça! Queremos o que é nosso por direito! É preciso lutar por uma alternativa revolucionária para os trabalhadores e um outro projeto para o país, sem UE, sem banqueiros, nem patrões!

O recente caso de Nicole, na noite de São João, no Porto, mostra como o racismo é uma ameaça constante para negros e negras em Portugal. Mas este não é um caso individual – é um problema estrutural que atravessa todas instituições do estado racista português, desde a PSP (que foi ao local e nada fez nem reportou o caso), à Escola, aos transportes públicos, aos tribunais, ao acesso a nacionalidade e residência, etc. Tal como no caso do julgamento da Cova da Moura, é preciso exigir que seja feita justiça já! Mas isso não virá da confiança nas instituições que todos os dias condenam os negros. As mudanças virão mobilização do conjunto dos trabalhadores!