ELEIÇÕES PARA A CT DA GROUNDFORCE

No passado dia 8 de junho, realizaram-se as eleições para a CT da SPdH/Groundforce, bem como para as suas Sub-CT’s dos aeroportos do Porto, Funchal e Faro. Com um recorde de participação de 1121 votantes (para cerca de 2500 eleitores) e com cinco listas a sufrágio, esta eleição bateu claramente todos os recordes.

 

A Lista A SOS-CT, com 25% dos votos obtidos, foi a segunda lista mais votada a nível nacional – 281 votos – tendo aumentado a sua representatividade e elegendo mais um elemento do que há dois anos; tem agora 3 dos 11 que compõem o órgão nacional. Conseguiu ainda, e pela primeira vez, que um elemento de uma outra escala (do Porto) fosse eleito para a CT Nacional. De sublinhar e assinalar a votação no Porto, que não só contribuiu para a votação nacional como, com os seus quase 60%, conseguiu maioria na Sub-CT do aeroporto do Porto, elegendo 3 dos 5 elementos que compõem este órgão.

Por uma “CT democrática, combativa e independente”

Era o título do Manifesto que consolidou, semanas antes da eleição, os vários candidatos da lista. A frase sintetiza a necessidade de um novo sindicalismo; um sindicalismo mais Democrático (onde os trabalhadores sejam de facto os decisores), Combativo (por não privilegiar a negociação em detrimento da mobilização e participação direta dos trabalhadores) e Independente (de governos e seus aliados). Um colectivo de ativistas que deseja uma CT verdadeiramente dos trabalhadores e subordinada a estes, sem negociatas à porta fechada pelos iluminados do costume.

Pelo estatuto de profissão de desgaste rápido

A lista ficou definitivamente conhecida pela lista do “Desgaste Rápido” [cartaz], uma campanha que os seus membros eleitos levarão adiante neste mandato de dois anos. A reivindicação do handling como profissão de desgaste rápido pretende resumir as preocupações principais dos trabalhadores dos aeroportos que prestam assistência em terra e o consequente desgaste que sofrem pelas particulares características das suas profissões: manipulação de cargas elevadas, stress, horários desumanos que põem em risco a sua saúde, a que se juntam os salários baixos e, no futuro, a dignidade na reforma. Para tal, as 35h de trabalho semanal, o 4/2 de turnos, os 25 anos de trabalho em turnos e os 55 anos de idade para atingir a reforma foram reivindicações do programa da Lista A que serão transportadas para a campanha nacional em torno do tema.

O status quo perde a maioria da CT Nacional e nas restantes escalas

Desde o surgimento da Groundforce (há 15 anos, com a privatização do setor do handling do Grupo TAP, através da compra de 50,1% do capital pelo grupo espanhol Halcon), que a maioria da CT esteve entregue a uma “lista tradicional”, ligada ao sindicalismo institucional, assistencialista e com as regras do jogo já pré-definidas. Também é novidade destas eleições que, pela primeira vez nestes 15 anos, esta lista tradicional, do status quo, tenha perdido a maioria.

Fecha-se, assim, um ciclo de penumbra a que a CT esteve sujeita; um ciclo de pensamento monolítico, de controlo da CT pelo sindicalismo tradicional ao serviço de políticas de conciliação que nunca resultaram em verdadeiras conquistas para os trabalhadores, bem pelo contrário.

Abre-se, portanto, uma nova página, um novo ciclo na CT da Groundforce, da qual muitos trabalhadores esperam mudança e uma resposta que lhes mude a vida e melhore o seu dia a dia. A Lista A SOS-CT, “Porque quer o mesmo que tu. Viver mais e melhor!” (como dizia o seu lema), está lá para isso!

Carlos Ordaz